Sobre a volta

Desde que eu voltei, acabo sempre escutando as mesmas perguntas: “Por que tu foi viajar? Foi estudar? O que tu ficou fazendo por lá?”

Tailândia Foto: Patrícia Martins

Tailândia
Foto: Patrícia Martins

E a resposta é:

Fui viajar pra simplesmente viajar, fui viajar pra ver o novo, pra quebrar a minha rotina, pra conhecer pessoas diferentes, pra experimentar comidas diferentes, pra buscar uma paixão pela vida que aos poucos eu ia perdendo, pra simplesmente me redescobrir e também mudar, fui viajar pra deixar de me preocupar com o futuro e simplesmente viver o presente! E a verdade é que eu consegui encontrar um pouco mais do que isso! Viajando descobri o quanto é bom não ter um celular, experimentei comidas diferentes, algumas boas e outras não, aprendi a dar o devido valor a um prato de comida por mais simples que ele seja, aprendi a lavar pratos, passar roupas, a empacotar kiwis e até a trabalhar com peixes, mas o mais importante foi ver que qualquer tipo de trabalho é válido e merece respeito!

Foto: Patrícia Martins

Cambodia
Foto: Patrícia Martins

Conheci pessoas de todos os cantos, de todas as cores e níveis sociais, pessoas incríveis, e o mais importante foi descobrir que a melhor maneira de conhecer uma pessoa não é saber de onde ela vem, o que ela faz ou qualquer coisa do tipo, mas, sim, conhece-la pelos seus valores, ideias, experiências, pelo que ela é e não pelo que aparenta ser! Peguei caronas, dormi no sofá de pessoas estranhas e aprendi que é muito bom esperar coisas boas do próximo e que existe muita gente boa por aí, senti muita saudade e pude ver o quanto é importante ter pessoas que amamos e que vão nos esperar de braços abertos, aprendi como é bom não ter medo do amanhã e viver cada segundo, a me jogar na vida sem saber no que vai dar, descobri que viajar sem roteiro é a melhor coisa, ainda mais com amigos queridos! Chorei bastante e vi que o choro faz parte do crescimento, aprendi a ser mais livre, a gostar e aceitar mais a pessoa que eu sou, vi que a felicidade realmente pode ser encontrada nas coisas mais simples da vida, vi também que a humildade é uma das melhores qualidades! E entre mil coisas eu vivi e vi que a vida é feita de momentos e que esses momentos não são nada se não forem divididos com pessoas queridas, vi o quanto o mundo é gigante e o quão pequena eu sou dentro dele!

Foto: Patrícia Martins

Vietnam
Foto: Patrícia Martins

Mas uma hora a gente volta, e de repente tudo que eu tinha aprendido e visto por lá tinha fugido de mim! A volta é difícil e infelizmente não tem manual. Eu voltei com o medo do velho e não do novo, com o medo da rotina que tinha ficado pra trás, com medo da mesmice, com medo da comodidade, com o medo do futuro, com o medo de perder os sonhos, com medo de me perder, com medo de ter medo e não saber simplesmente viver o hoje, com medo de parar!

Cambodia Foto: Patrícia Martins

Cambodia
Foto: Patrícia Martins

E assim vivi por quase um ano e agora acabo vendo que todo o aprendizado da viagem não tinha fugido de mim, ele estava guardado o tempo inteiro pra uma hora aparecer e me ajudar a ver que a minha volta também podia ser levada como uma viagem, que cada dia tem seu lado bom, que eu reencontrei amigos queridos que me esperaram de braços abertos, que o velho acaba se tornando novo, que eu não preciso me acomodar, que as pessoas são a chave da felicidade, que a humildade continua sendo um dos valores mais importantes e que o mais importante é tentar fazer dessa vida uma eterna viagem por mais difícil que ela seja, o importante é viver e ver a beleza de cada dia!

Texto enviado por: Patrícia Martins

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Sobre Vagabundo Profissional

“Muitos pensam que sou rico. Outros pensam o contrário. O que ninguém sabe é que minha riqueza é medida em histórias, em experiências e pessoas. Sim, sou rico. Porque viajei o mundo sem um único centavo no bolso. Sim, sou rico. Por causa das pessoas que conheci. Mas acima de tudo, sou rico, por que descobri o verdadeiro significado da vida.” (Fergal Smith)
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Uma resposta para Sobre a volta

  1. Belo texto. Realmente é assim que eu me sinto quando eu volto de uma deliciosa viagem: o medo da rotina e da mesmice. Mas o importante é viver rs rs

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