Mochileiras – Mulheres que viajam

Estreando minha participação no “VAGABUNDO PROFISSIONAL”, resolvi abordar um tema que embora eu tenha um bom argumento talvez eu não seja a pessoa mais propicia a responder.  Viajar pegando caronas e se hospedando em casas de pessoas que se encontra pelo caminho é um desejo muito cobiçado no mundo mochileiro, porém esta conversa tende há balançar um pouco quando se trata de “mulheres que viajam”. Sempre sou questionado pelo meu modo de viajar, e geralmente o que mais escuto de viajantes (mulheres) é a boa e velha desculpa “Sou mulher pra mim é mais difícil”.

Como não seria valido as minhas respostas (pelo simples de fato de eu ser homem) entrevistei uma mochileira, Pãmella Marangoni, 24 anos, um verdadeiro exemplo de uma mulher que se dedica a uma vida “off road”,  Sul Mato-Grossense, mochileira a 8 anos, perrengueira e caroneira a 4. Acaba de chegar de um role de 10mil km pelo sudeste, nordeste, e centro-oeste onde passou mais de 50 dias fora de casa, viajando de carona, dormindo em barraca em posto de combustível, e se sustentando com a venda de calcinhas (compradas no Brás em SP) e contando com a solidariedade das pessoas…

Capturar

CONTE-NOS UM POUCO SOBRE SUA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA VIAJANDO SOZINHA ?

Foi em Julho de 2009, indo para Machu Picchu… Eu já havia estudado a rota diversas vezes, convidado todas as pessoas possíveis pra ir comigo e todos achavam loucura… Perguntavam: Pra que? Por quê? Você está louca? Com pouco dinheiro no bolso, peguei 3 caronas e cheguei em Corumbá… Divisa com Bolívia. (morar no MS tem essas vantagens) passei pela fronteira, carimbei o “permisso”, troquei meus 680,00 por dólares, e comprei uma mochila nova (lá é muito barato) enquanto espera o trem… São 18horas de viagem… Da pra tempo de pensar na vida, apreciar a paisagem… Conviver com os bolivianos, aprender costumes, comer comidas típicas nas 300 paradas que o trem faz. E principalmente, fazer amizades! E por conta de 3 amizades dessa eu mudei a rota e todo um planejamento que havia feito a mais de um ano esperando pra ir a Machu Picchu… Chegando a Santa cruz, me uni a 2 Goianos e 1 Paranaense e confiei na rota e boa fé deles, seguimos juntos por 25 dias, rumo ao Deserto do Atacama, Uyuni, La paz… Foram dias mágicos! (tive que fazer milagre p/ o dinheiro dar) e posso dizer. Viajar sozinha é um aprendizado, uma forma de se conhecer, deixar luxos de lado, ser companheira, fazer amizades, ter a liberdade de mudar ideia quando bem entender… Bolívia foi minha escolinha de como se virar, falar portunhol, e saber que posso ir cada vez mais longe!!

O QUE VOCÊ TEM A DIZER SOBRE MULHERES QUE USAM A SEGUINTE DESCULPA… “SOU MULHER POR ISSO NÃO VIAJO SOZINHA ME HOSPEDANDO EM CASAS DE PESSOAS E NEM PEGO CARONA”

Hoje em dia eu penso que são desculpas, que se baseiam muito em noticiários de Televisão e esquece-se de viver a vida. Mas quando eu era mais jovem achava loucura, uma loucura desnecessária… Pois não entendia o porquê disso… Foi com o passar do tempo, e das viagens que eu percebi, que quando se quer REALMENTE algo, não existe essa de “eu não tenho dinheiro”, “eu não tenho tempo”, ” eu não tenho onde ficar ” Penso que todos podemos ir p/ qualquer lugar, e se virar, isso só depende de você… da sua fé, sua maneira de ver a vida… Fiz diversas viagens gastando pouco, até perceber que dava pra ir gastando “nada”… Essa história que mulher corre riscos, que ganha cantadas, que isso e aquilo, é coisa de gente que inventa desculpa pra não fazer as cosias que tem vontade, e não quer que os outros façam… pensa comigo: cantada, você leva na rua, e em qualquer lugar do mundo… Perigos também, estão por ai… Se agente for se prender a essas coisas não saímos de casa nunca! Ou melhor… Até em casa corremos “riscos” maníacos, ladrões… primos tarados rsrs Caminhoneiros estão trabalhando, e 98% são rastreados pelas empresas… Ficar em casa de desconhecidos? Amplie seus horizontes! Deixe seus luxos! Seja humilde, e grata pela gentileza! Retribua sempre que puder!!! Enfim, não é do dia pra noite que alguém vai ter esse pensamento, e sair por ai, mas acredito que estudando bem uma rota, mantendo sua família informada de seus passos, fazer algo “lúcido” e com boa fé, sempre terá bons resultados.

estrada real

QUAIS SUAS EXPERIÊNCIAS COM CARONAS E HOSPEDAGENS?

Peguei diversas caronas ao longo dos anos de estrada… Carona em carro de passeio, moto, caminhão, carrocerias.. Carona de jegue na Bahia, com taxi no MS, em pau-de-arara no Ceará, com polícia Rodoviária Federal, barco, lancha, bote, carona com ônibus de estudantes, e até dormi na garagem do ônibus quando ele parou… Viajar de carona é fazer amigos… Você entra , se apresenta, conversa um pouco, se impõe… E depois vê se ele quer conversar, ou se esta só te ajudando… A maioria quer companhia pois está a muitas horas viajando e precisa se manter acordado… saber a minha história.. “O que uma moça como vocêestá fazendo aqui menina? sozinha?! Mas existem os que precisam desabafar, que contam seus problemas como se eu fosse uma psicóloga, No final estamos super amigos, eles pagam meu lanche, são gentis, me dão dicas de onde ficar, qual trevo é melhor pegar carona, qual posto dormir, pra não ser confundida com prostituta e passar apuros… E em poucas horas de viagem, viram meus “pais” Minhas hospedagem são engraçadas… são pessoas que me ajudam com informações, e acabam participando da minha viagem… assim como os caronas me adotam, e me ajudam com tudo… Já dormi muito em albergue,hostal, rodoviária, posto de combustível, pedindo pro guarda ficar de vigia, em praia deserta, amigos que conheci pela internet.. Mas uma que nunca vou esquecer foi a 1°.. Eu estava na aldeia do Xingu, indo pra Alto Boa Vista no MT ( onde morava meu pai) tinha 16 anos, e o ônibus quebrou, no meio da aldeia.. O “posto da mata” era movido a energia à motor.. e 22h desligavam tudo… não havia hotel, nem orelhão, nem celular naquela época… Eu pensei: *%$#!!! Arrumei um cantinho da “rodoviária” e deitei em cima da mochila… quando as luzes se apagaram, bateu o medo… Fiquei ali uns 20min, n tinha nem lua aquela noite! Então eis que surge uma alma abençoada.. a mulher do guichê, que vendia passagens, me fez um interrogatório, se eu não tinha ninguém, se eu não medo… uma séria de coisas, e saiu… deu uns 10 passos, voltou e disse: olha, eu moro sozinha, só eu e minha filha de colo, mas não vou conseguir dormir sabendo que você está aqui sozinha… é muito perigoso!
Você quer ir pra minha casa? eu: sério? se a Sr. não se importar… amanha cedinho eu sigo viagem!! A casa era super simples, um barraquinho de lona coberto com sapê… No dia seguinte eu acordei cedinho, fui numa vendinha e comprei pão.. deixei pra ela e a filha um monte de coisas q eu tinha na mochila, e fui embora, me sentindo um anjo na vida dela e ela na minha, pois a situação dela era de quase passando fome!! Contar com ajuda de estranhos é se fortalecer, desapegar, e acreditar na bondade alheia sempre.

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O QUE TE MOTIVA A VIAJAR ?

Saber que há muitos lugares lindos por ai, muita cultura nova, e valores que não encontro trancada em um escritório. O mundo é muito grande pra viver em um lugar só! Em algum lugar existe alguém que precisa me conhecer, e que eu preciso conhecer! Isso já aconteceu diversas vezes em minhas viagens. Amigos que se tornam irmãos, e pessoas das quais jamais esquecerei, e sei que fiz a diferença na vida deles também! Viajar é o que me motiva a viver!!

VOCÊ PODERIA NOS CONTAR UM POUCO SOBRE SUAS SITUAÇÕES FINANCEIRAS EM RELAÇÃO A VIAGENS?

Comecei viajando com dinheiro, mesmo que pouco, eu levava e planejava cada centavo … Em janeiro de 2011, na Chapada Diamantina, conheci uma baiana que me fez enxergar que só não viaja quem não quer! Eu só tinha 50,00 (depois de 30 dias de estrada) no bolso, e tinha que escolher, voltar pra casa, ou comprar TODO o dinheiro em comida e ir fazer a trilha do vale do Pati. Adivinha o que eu fiz? Foram 6 dias incríveis! A melhor trilha e momentos que já vivi! Mas na volta à vila, a realidade bateu… eu estava a 3mil km de casa e não tinha um real no bolso! O que fazer? Como se virar? Liga pra mãe e chora? NÃO! Nós juntamos umas moedinhas, compramos leite condensado, ganhamos um pouco de nescau e 1 colher de margarina do pessoal do camping, fizemos brigadeiro, e fomos vender na cidade… Pegamos o lucro, dobramos a receita, e vendemos mais, e mais e mais… até ter R$ pra eu e ela voltar pra casa, e ainda comer em restaurante! Depois disso, eu nunca mais tive essa de “eu não tenho dinheiro, não posso ir”… Cada viagem é uma “novela” eu invento coisas pra vender antes de ir, faço promoções, cozinho, vendo yakissoba, roupas, convites de festa, trabalho festas… e parto… e durante a viagem vou economizando com hospedagem dormindo em barraca nos postos de combustíveis, e casa de desconhecidos… P/ minha ultima viagem comprei uma sacolada de calcinhas no Brás em SP, com meus únicos 250,00 ( sim eu sai de casa pra viajar com 250,00 no bolso) e passei 50 dias viajando de carona e vendendo lingerie pelas praias do nordeste…

COMO FICA O TÃO TEMIDO “ASSÉDIO” DURANTE AS VIAGENS?

Nesses 8 anos de estrada eu nunca passei por nada d+… mas já ganhei muita cantada… Primeiramente eu, como mulher, me visto com roupas adequadas, que não mostrem nada que possa chamar a atenção, prendo os cabelos, e não uso perfume… Pareço um gurizinho. Mas mesmo assim, ainda existem os engraçadinhos, e é ai que entra aquela história de saber se impor, contar uma história bacana, não dar brecha e em ultimo caso pedir pra parar! Dai você desse e estica seu lindo dedinho novamente! Certa vez um carona me disse: “ta bom, me desculpa, mas se eu não tentasse não ia dormir essa noite! não é todo dia que agente da carona pra uma mulher como você!” nós rimos e continuamos viagem. Essa de que sou “homem” e tenho q tentar, é a mais usada… Mas evite pegar carona com 2 homens.. ter fé em Deus e bons pensamentos ajudam, mas você também tem q evitar a má sorte e saber se comportar.

EM QUE SUAS VIAGENS TE AJUDAM E ATRAPALHAM EM RELAÇÃO A RELACIONAMENTOS FAMILIARES E AMOROSOS?

Certa vez um namorado me disse: Eu nunca vou comprar aliança de ouro pra você! Eu: por que? Ele: Porque quando agente terminar você vende e vai viajar! Então é complicado… Ninguém quer alguém que pode sumir a cada feriado. Encontrar alguém compreensivo é coisa rara. Viajar se tornou uma questão de estilo de vida, é uma opção que fiz. Minha família acha que eu deveria parar, vender a mochila, casar ter filhos, me formar. Mas no fundo todos sabem que essa é minha verdadeira paixão! E adoram minhas histórias!

RECENTEMENTE VOCÊ FEZ UMA VIAGEM PELO LITORAL DO BRASIL, PELO VISTO FOI AO ESTILO “ROOTS” – COM DIREITO A CARONAS HOSPEDAGENS E MUITO MAIS. CREIO QUE TENHA SIDO UM DOS SEUS” VOOS MAIS ALTOS”, CONTE-NOS MAIS A RESPEITO DE COMO FOI ESSA SUA “MOCHILADA”.

Essa foi mais que uma mochilada… Foi um teste de sobrevivência. Eu passava por maus momentos pessoais, e precisava dar esse salto grande, poderia ir e nunca mais voltar. Organizei-me muito pra isso… Entreguei minha casa alugada, vendi parte dos móveis, pedi demissão do serviço, e na semana da viagem, uma amiga me pediu pra esperar, pois estava vindo pro MS, e queria conhecer Bonito comigo. Então parei de me programar, vivi ótimos momentos com ela, conheci um namorado novo e passamos a viajar por MS, SP… Vivi 3 meses “por ai” visitando amigos, casa de parentes, alguns destinos novos, mas nada muito longe… Foi em Maio, depois de ter gasto tudo que eu tinha que percebi que estava na hora de ir além. Que só aquilo não bastava… Pedi um alvará ao “love” voltei pra casa da minha mãe, montei uma mochila mais que equipada, com panela, comida, saco de dormir e passei uma semana estudando o que faria. Marquei uma data, me despedi dos amigos mais próximos, um abraço apertado na mãe, e sai, como se nunca mais fosse voltar! E realmente, quem voltou não foi aquela Pãmella.
Foram dias incríveis, contando com a solidariedade das pessoas, muitas caronas, noites de luar, praia, dormi em rede, em posto de combustível, em casa abandonada, em casa de pescadores, andei de barco, fiz pesca noturna, aprendi a fazer comidas novas, passei medo, fome, sede, pois fiquei isolada em uma estrada que a ponte quebrou, e só consegui sair de lá 2 dias depois. Vi cores de água que nunca havia visto, conheci pessoas boas, más, com histórias emocionantes! Alguns loucos de tudo, outros inspiradores… 50 dias, e 10 mil km de BR! Jamais esquecerei! E depois de tudo isso, voltei pra casa, disposta a mudar muita coisa em minha vida, a dar valor em coisas q antes não faziam sentido.
Tendo que recomeçar, comprando tudo de novo, morando na casa da mãe, testando minha humildade. Estou me reinventando a cada dia!

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Gostaria que as pessoas tivessem esse tipo de experiência, ou que ao menos deixassem o PREconceito de lado.. isso mesmo “pre” conceito… pois só critica quem não entende, ou não conhece. Seja a 100km de suas casas ou indo ao outro lado do continente… a distancia não importa! Mas desapegar, conhecer, se reinventar é preciso! Há muitas maneiras de viajar, muitas coisas por ai, algumas ruins outras maravilhosas! Mas todas serviram de aprendizado pra algo em sua vida! Minha dica é batida, mas essencial : VIVA, não apenas exista!

Mapa da última viagem da Pâmella

Mapa da última viagem da Pâmella

Quem desejar conferir um pouco mais sobre suas viagens acessem sua fan page 100 Dinheiro 100 Frescura e 1000 Destinos.

 Uma belíssima musica  em homenagem a todas mochileiras:

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34 respostas para Mochileiras – Mulheres que viajam

  1. Maauu Silva disse:

    Pã!!! sou seu fã!!! Vc é demais!!! Parabéns!!! Curto suas viagens!! Bjs…

    • mochileiroperegrino disse:

      Maauu Silva – de fato a “panzinha” surpreende mesmo sem sombra de dúvidas, grande mochileira que merece todo nosso respeito.

  2. brunojefferson disse:

    Essa é guerreira, pegar carona nas quebradas do Maranhão e do Tocantins.

  3. Carol Mondin disse:

    Tenho mais de 30 anos de estrada e descobri muito cedo que mochilar sozinha é a melhor experiência que existe. Sou daquelas que tem certeza que tudo vai dar certo e, como não tenho a menor habilidade com GPS, sigo mesmo é a minha intuição. É ela quem me diz se tá na hora de partir, por onde ir, com quem ir e me manda alertas sobre em que se pode confiar. Tudo isso deu certo, até eu chegar na África do sul em 2008. Lá eu senti na pele o quanto ser mulher dificultava tudo. Um país onde não era possível andar de transporte público, jogou na minha cara que a condição feminina podia, sim, ser algo que jogasse contra. Passei medo ao andar sozinha e, pela primeira vez, a escolha do que vestir não foi necessariamente determinada pelas peças limpas que restavam na minha mochila. Apesar do verão, em alguns lugares era simplesmente impossível sair de short e camiseta. Ainda que tenha sido uma experiência mais difícil, não abandono minha mochila por nada e recomendo que o 1% das mulheres dispostas a abandonarem sua zona de conforto, o façam.

  4. O texto da Pãmella é ótimo. Eu já mochilei algumas vezes sozinhas e não abro mão dessas experiências por nada. Mas em alguns momentos eu sei que tudo deu certo por sorte e de bons amigos que apareceram no meu caminho… mas poderiam sim ter acabado muito mal pelo fato de eu ser mulher (e ter cara de 15 anos a 10 anos). Eu passei por uma situação muito tensa na Austrália, lugar onde eu realmente não esperava ter esse tipo de problema.Tenho uma amiga que já passou situações muito tensas no continente africano mesmo fazendo questão de se vestir de acordo com os costumes do local. Ser mochileira mulher é mais complicado sim. Mas nem eu nem ela paramos por conta de perigos que encontramos no caminho.
    Eu concordo que a experiencia é incrível e que mulheres não devem deixar de faze-lo apesar dos machistas espalhados por aí. Mas não acho que é uma desculpa. Uma mulher tem que ter muito mais coragem, muito mais preparo emocional pra lidar com algumas situações e muito mais atenção às coisas ao seu redor pra começar um mochilão sozinha.
    Eu viajo sozinha e vou continuar a viajar porque no final as vantagens são maiores do que possíveis problemas. E como a Carol eu também tenho certeza que tudo vai dar certo.

    • mochileiroperegrino disse:

      Luisa Jannuzzi – Seria legal você nos contar um pouco sobre suas experiências. É sempre muito frutífero poder contar com experiências de outros(as) viajantes.

    • Carol Mondin disse:

      É, Luisa…eu sempre brinco que só levo a mochila pq é nela que carrego a coragem. Afinal, todo o resto são apenas “coisas” e o anjo das mochileiras não dorme nunca!

  5. Gente o mundo tem muito mais gente boa ,do que pessoas ruins, tendo fé na justiça do universo tudo da certo…..e a estrada é o melhor lugar pra se perceber isso.¨O mundo é muito grande pra quem anda de avião
    Pra quem anda sem destino ele cabe na palma da mão¨

  6. meninas, Pãmella, Luisa e Carol, me convidem pra viajar com vocês ! rsrsrs.
    Eu tenho coragem mas acho que ainda não tenho o feeling bem desenvolvido pra perrengues…
    Tentei viajar uma vez de carona com uma amiga, quando ainda morava no sul de minas, e levei uma passada de mão na coxa do motorista do caminhão… quase pulei do caminhão em movimento! foi horrível.
    Depois dessa, até fiz duas viagens praticamente sozinha, mas de ônibus e avião, aqui pelo Brasil mesmo, litoral de São Paulo e Bahia, mas confesso que o assédio triplica quando os homens percebem que vc está sozinha. Bate uma insegurança e às vezes até um medinho.
    Pretendo mochilar no ano que vem, desta vez alçar vôos maiores! ir pra fora do país!
    valeu pelas dicas!
    beijos

    • mochileiroperegrino disse:

      Ana Paula Nakamura – Que coisa rsrsrs – um motorista nunca passou a mão na minha coxa não ( rsrsrsrs ) mas já peguei carona com motoqueiro bêbado. Seria bom você conversar com mais mochileiras para poderem trocar experiências. E não deixe de viajar por esse ocorrido.

  7. Interessante a matéria, mas sabe…ao perigo é eminente e sempre está por aí…
    Viajar sozinha ok tudo bem…daí pegar carona na estrada é outra coisa, que bom que com ela não aconteceu nada, que continue assim…
    Mas sinceramente eu não me arriscaria desta maneira, pois sei o quanto o mundo é sujo e o quanto tem pessoas más espalhadas por aí, infelizmente a mulher ainda é vista como o sexo frágil e gente doente e má é o que mais tem por aí!

    • Dayana, você tem uma parcela de razão, mas por mais incrível que pareça o mundo é muito mais seguro do que você imagina. A televisão nos faz refém do medo, entenda que quando uma pessoa pega carona e algo dá errado logo vira notícia e nos apavora através da televisão e dos jornais, mas os outros milhares que chegam ao seu destino sem nenhum problema não nos é informado. Caia na estrada e veja. Tem muitas garotas por aí, de queixo erguido, sem medo, pavor ou caprichos. É um trabalho difícil de se fazer consigo mesma, mas basta entender que na estrada o perigo segue o cheiro do medo, então deixe o medo em casa.

  8. Não acho que ser mulher seja uma desculpa para não se aventurar. Eu amo viajar e viajar é minha vida, por isso tenho medo de pegar carona sozinha e ir para determinados lugares sozinha, porque quero viver muito para viajar muito ainda! Também acho que existam mais pessoas boas do que ruins, mas já passei por vários perrengues que me ensinaram que é melhor não arriscar. Eu já viajei sozinha, mas de avião. Segurança em primeiro lugar!

  9. Savya Alana disse:

    Curti demais conhecer as experiências da Pãmella Marangoni e também ler as diversas opiniões da mulherada nos comentários, penso que quanto mais histórias forem compartilhadas melhor para o aprendizado coletivo, e para a desconstrução do “pré”conceito. Abraço! 🙂

  10. Gabi Lopes disse:

    Muito bom!!!!!! Grandes experiências e aventuras. É meninas, o segredo é se sair da zona de conforto e conhecer esse lindo mundo!

  11. Vanessa Heyho disse:

    Sou mais ou menos como a Carol disse aí, confio na minha intuição e sempre penso que tudo vai dar certo no final. E mesmo quando TUDO não dá certo, presepadas sempre vão render boas risadas quando tudo chega ao fim. Essa coisa de que existem poucas mulheres fazendo isso não condiz com a realidade. Viajando sozinha já encontrei e fiz amizade com muita guria mochileira. O lance é ir, seguir, estar em trânsito e não se importar com as quebradas, buracos e presepadas que estão por vir. Como, onde, e outros questionamentos do tipo, ficam fora da bagagem. Viajar é preciso!

  12. Obrigado a todos que leram a matéria e comentaram…
    Vivi ótimos momentos, e pretendo compartilhar minhas experiencias sempre que puder!!!
    Se pudesse faria tudo de novo!! kkk

  13. Pingback: [Michi~Links] Mulheres que Viajam | Pikachu Supremo

  14. Onde [e a primeira foto da Pã com o Mochilão?

  15. Pãmella,só tenho a agradecer pelo texto. Ele apareceu no momento certo, pois estou me preparando para fazer minha primeira viagem sozinha.
    Suas palavras só me fortaleceram… Nossa, q alívio estou sentindo. rs!
    Gostaria de continuar o contato com você para tirar algumas dúvidas. Pode ser?

    Forte abraço,

    Thays.

  16. To super emocionada com o depoimento da Pamela… e meus parabéns por sua coragem de viver.
    Nas poucas vezes em que consegui fazer algo mto de longe parecido foi acampar sozinha…. e preciso dizer que sempre foi tranquilo, ótimas experiências…
    mas é como ela disse, tem que rolar um comportamento atento, focar na experiencia em si…
    No geral as pessoas te deixam em paz, te ajudam no necessario sim.
    grande beijo e sorte moça!

    Carla – RJ

  17. Ellen Fleming disse:

    Fiquei encantada com o depoimento e comentários, mas me senti uma velha medrosa, com muita vontade e nenhuma coragem.
    Que vocês tenham mais relatos de mochileiras para que outras assim como eu possam ser incentivadas a sair da zona de conforto, e não ficar presa a aviões…rs

  18. Acabei de falar da Pãmella para o meu irmão. Ele disse: “É mais fácil para a mulher conseguir carona, refeições e hospedagens”. E como você disse no texto, tem gente que diz que “É mais fácil para o homem viajar desta forma”. Conclusão: quem quer faz, quem não quer arranja uma desculpa hehehe.

  19. Me apaixonei por uma mochileira que vinha de Niterói no trem da morte entre Porto Quijajo e santa Cruz de La Sierra. Nos conhecemos na travessia da fronteira Brasil-Bolívia mas foi no trem que nossa amizade se estreitou. Por obra do destino nossas poltronas eram uma ao lado da outra, ela cedeu a janela pra mim quando eu disse a ela que era fotógrafo. O calor era digno de um forno, e o céu atendeu nossos pedidos e nos mandou uma bela chuva de verão. Nós colocamos o corpo pra fora do trem, e todos os outros mochileiros do vagão fizeram o mesmo. Quando a chuva passou, a noite junto com a temperatura caiu, tivemos que usar o meu casaco como cobertor e daí em diante fica difícil descrever. Enquanto ela dormia apoiada no meu peito eu ouvia algumas músicas. Minha trilha pra estrada que conta com essa linda canção do Geraldo Roca que na viola e voz do Almir Sater se tornou pra mim minha canção favorita. Depois disso vieram La Paz, Copacabana, Cusco, Salar de Uyuni, e nós seguíamos em constantes encontros e desencontros, Quase todos os dias nós dávamos adeus mas logo nos encontrávamos. Ela conseguiu chegar na minha cidade minutos antes que eu, passou o final de semana na minha casa e eu a deixei no aeroporto pra que ela pudesse pegar seu voo para o Santos Dumount. Desde então nunca mais a vi, fui ao Rio por duas vezes mas não consegui encontra-la devido a inúmeros contratempos, acho que ela não acreditou muito nisso. Eu a convidei para vir pra Bonito mas ela desistiu de última hora. Foi uma das maiores lições que eu tive nas minhas viagens, compreendi que tudo tem inicio, meio e fim, e que temos que aproveitar tudo no seu tempo, nem mais nem menos.
    Mochileiro sabe como são essas coisas de pessoas, você conhece alguém especial que daqui algumas horas dobrará a esquina para nunca mais, pra daqui muito tempo, pra sabemos lá quando. Algo fica pra sempre, no meu caso essa música, que quando toca me recobra automaticamente aquele dia com ela no trem.

    • Carol Mondin disse:

      Gabriel, o que tem de mais mágico nesse seu relato é que ele é tão seu, mas ao mesmo tempo é tão nosso!! Nosso, digo, dos mochileiros. Com certeza todos nós temos histórias semelhantes e essa saudadezinha de algumas coisas que levaremos pra sempre. Cada viagem é especial por isso, por esse monte de possibilidades, pessoas e amores, com altíssimas doses de liberdade, encontros e desencontros. Sempre digo que meus beijos são de partir e de chegar, afinal, quem é que sabe o que reserva a próxima curva, né?

  20. MEU.DEUS. Virei fã dessa guria. Que coragem, e que EXEMPLO!!!

  21. Sempre tive vontade, mas nunca tive coragem de fazer isso, primeiro, pq a grana sempre anda pouca, aí fico com menos coragem ainda. Gostaria de dicas de mulheres que já viveram isso, estou planejando minha primeira, pra até o mês de setembro. Se alguém se disponibilizar a me dar mais dicas, me envieem e-mail: hosanna82@hotmail.com

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