Uma inesquecível experiência no Peru

O João, autor do site 1001 Videoclips Para Ver Antes de Morrer, nos enviou seu relato de sua viagem inesquecível ao Peru.

Na companhia de um amigo, viajamos para o Peru e descobri uma paixão enorme por viajar.
Eu escolhi todo o roteiro da viagem poucos dias antes de iniciar a talvez, maior aventura de minha vida até então. O roteiro seria o seguinte: Lima – Cuzco (Machu Pichu) – Puno (Lago Titicaca) – Arequipa – Lima – Casa. Em quinze dias de viagem.

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Quando chegamos em Lima, fomos direto para uma hostel no tradicional bairro de Miraflores, o Copacabana de Lima. Foram dois dias conhecendo a cidade e seus sítios arqueológicos. Uma das coisas que me chamaram a atenção em Lima eram esses sítios que ficavam localizados dentro da capital.

Depois disso, partirmos em direção a Cuzco em uma viagem de ônibus que durou 20 horas. A paisagem era de tirar o folego. Montanhas e mais montanhas se juntavam as cordilheiras dos Andes.  Eu cheguei a passar mal de enjoos alguns momentos porque a estrada que leva a antiga cidade foi construída em espiral, então apenas subíamos e subíamos sem fim em círculos intermináveis. Porém, a vista era tão esplendida que compensava o mal estar.

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Ao chegarmos em Cuzco, a primeira impressão que tive foi de uma cidade muito pobre e desorganizada. Conhecendo melhor a estrutura arquitetônica do centro histórico, mudamos rapidamente de impressão. Cuzco situa-se em uma região alta e seca. Faz muito frio mas chove pouco. Os cuzquenhos são muito simples e humildes.
Ficamos hospedados na casa do irmão de um amigo peruano que conheci em meu trabalho, em um navio de cruzeiro. O nome dele é Marco e foi como um irmão para nós, cedeu sua casa e tudo que precisávamos para os 10 dias que ficaríamos em Cuzco. Ele nos levou para conhecer sítios históricos, museus (com direito a múmias verdadeiras! era proibido tirar fotos, uma pena, pois elas são incríveis).

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Chegamos no sábado, conhecemos o museu e zoológico (com direito a fotos com Condores, a incrível ave dos andes) no domingo e na terça, partimos para Machu Picchu, o lugar mais visitado do Peru e também o mais famoso. Quem nunca se imaginou percorrendo a famosa trilha até um dos sítios arqueológicos mais impressionantes de todos os tempos?Compramos os tickets de trem e todos os necessários para ir a MP. No dia seguinte, acordamos muito cedo, porque a viagem seria longa. Marco, nosso host, gentilmente nos levou até a cidade mais próxima onde pegaríamos o trem para MP (veja como ainda existem pessoas boas neste mundo). O trem estava repleto de gringos, a maioria europeus (nunca vi um povo pra gostar tanto de viajar). A paisagem era de tirar o folego, podíamos apreciar os Andes e o rio que quebra no Amazonas.

Depois de umas 2 horas de viagem, chegamos à simpática cidade de Aguas Calientes. Um lugar charmoso e muito convidativo. Poderíamos passar o dia e noite ali, sem problemas. Super movimentado, com muitos restaurantes bons, pousadas maravilhosas e muita gente.
De lá pegaríamos o ultimo ônibus para o sitio arqueológico. Mais meia hora e muita vista linda. Acredito que essa seja o percurso mais legal de todos até chegar a MP: a estrada que nos leva é cercada de montanhas e florestas belíssimas, como se estivéssemos dentro da selva amazônica. Muito verde e paz encantam o lugar.

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Ao chegar em Machu Picchu, a incrível sensação de “não acredito que eu estou aqui” bateu na hora! Uma sensação inexplicável. Sempre vemos em livros de história aquele lugar lendário e de repente, estamos aqui, de frente, sem explicação, só indo para sentir o mesmo.

O dia foi corrido, conhecemos todos os lugares possíveis ao redor e tiramos muitas fotos. A guia sempre com histórias incríveis tornava a viagem mais legal. Infelizmente não podíamos subir no topo da montanha principal, porque a quantidade de pessoas aceitas por dia era de 400 e esse número já havia sido alcançado havia um bom tempo (é preciso reservar com bastante antecedência)

Depois de um dia quente, ensolarado e prazeroso, chega a hora de retornamos à Aguas Calientes. Pegamos o trem de retorno e então, voltamos para Cuzco, exaustos mais felizes.

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

No dia seguinte, era hora de planejar o passeio ao Lago Titicaca. Para quem não sabe, este é o lago navegável mais alto do mundo, em relação ao nível do mar: mais de 4000 metros acima do nível do mar.

Compramos um pacote completo com uma agencia de turismo que dava direito a passagem de ida a Puno, cidade que fica à beira do lago –  dois dias conhecendo as ilhas de Uros (falarei mais delas adiante), Amantani e Taquile. Para mim, esta foi a melhor parte do passeio: o lago Titicaca e tudo que o cerca.

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Uros é conhecido mundialmente por uma peculiaridade. Seus moradores vivem em ilhas construídas com matérias orgânicos provenientes do próprio lago titcaca, onde os nativos bolivianos e peruanos constroem e mantêm para nelas habitar.

Os Uros são feitos à base de totoras e é necessária constante trabalho de manutenção para assegurar a flutuabilidade de tais ilhotas onde os residentes pescam, caçam pássaros e por último exploram o turismo com a venda de artesanato. E o mais interessante: os Uros existem desde a era pré-colombiana.

É uma pena que lá, os nativos adoram abusar dos turistas, tanto para tirar fotos como para adentrar as ilhas.

Depois, no mesmo dia, seguimos por três horas em um barco simples até a próxima ilha, onde iriamos passar a noite. Amantani fica a alguns quilômetros de Uros e se caracteriza por ser uma ilha que vive exclusivamente da agricultura. Mas de uns tempos para cá aprendeu a também cultivar o turismo. O passeio permite subir ao ponto mais alto, conhecido como Pachatata, e de lá é que vemos a beleza do Lago Titicaca ao pôr do sol. O lugar é fabuloso e encantador, mas a subida é extremamente cansativa e incrivelmente compensadora.

Voltamos para nossas casas temporárias, pois dividiremos um quarto de uma casa de moradores. Essa incrível experiência nos permitiu conhecer um pouco mais de sua cultura. É incrível como é possível ser feliz e viver bem, criar os filhos e ter uma educação boa vivendo isolado em uma ilha onde não há energia elétrica nem água canalizada, muito menos conforto e opções de diversão como há em grandes cidades. Eu sentia no olhar deles a vida pulsar, independentemente de qualquer situação.

Jantamos uma sopa saborosa e suculenta, além de batatas cozidas e mate, a bebida oficial dos peruanos. Depois da janta, era hora de se divertir, numa festa tradicional com moradores e turistas. Infelizmente, por não haver energia – isso mesmo, sem nenhum conforto do mundo moderno – muito frio, e escuridão total, seguimos para a casa onde estava acontecendo o festejo. A nossa host, nos levou em segurança e também nos trouxe de volta. Dançamos, tiramos fotos, conhecemos gente de todos os lugares do mundo, incluindo alguns amigos da Polônia, um casal da Holanda (e claro, como sou apaixonado por rock, não pude deixar de citar os irmãos Halen, da banda de Hard Rock Van Halen, que são de lá) e uma jovem brasileira que estava de férias, depois de trabalhar como voluntária em um hospital em Lima.

Após o fim das festas, decidimos sair para jogar conversa fora numa praça. Eu, meu amigo, a brasileira e os três polacos. Conversamos, bebemos, nos divertimos e cada grupo seguiu para sua casa. A nossa hostes estava conosco o tempo todo.

No dia seguinte, após um café apetitoso, fomos a outra ilha. Tequile, uma das exóticas ilhas turísticas do lago Titicaca. Taquile é uma ilha rochosa que fica a 2 horas e meia de navegação de Puno. A única vila fica no alto da montanha à 190 metros acima do lago. Para chegar até ela existem dois caminhos: uma escadaria com 538 degraus que leva direto a vila ou uma trilha de quase 3 quilômetros com subidas suaves que passa por fazendas e pequenas comunidades. Escolhemos a primeira opção.

Durante a subida, é possível ver os nativos em suas atividades agrícolas diárias. Eles vivem em um ambiente cercado de natureza, paz e harmonia. Não dá para não se perguntar como pessoas ainda podem viver em meio a tanta simplicidade neste mundo tão globalizado? Ao chegar ao topo da ilha, no vilarejo principal, conhecemos um pouco mais da história do lugar. Confesso que não sou muito de prestar atenção no que diz o guia, porque adoro tirar foto o tempo todo e apreciar as paisagens.

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Nesta altura do campeonato, nem eu nem meu amigo tínhamos dinheiro suficiente para o almoço. Acredite, erramos os cálculos e acabamos por gastar demais ou levar de menos. Passamos sufoco, sentimos fome mas o passeio foi divertido. Valeu a pena.
Retornamos a cidade de Puno com apenas algumas bananas na barriga, fomos a rodoviária para pegar o bilhete para Arequipa, nosso próximo destino. Saímos de Puno mais ou menos as 8 hrs e durante a viagem chovia muito. A estrada para Arequipa estava interditada por causa do mal tempo e o ônibus teve que retornar – para nosso desespero, pois uma pessoa estava a nossa espera as 6 da manhã do dia seguinte.

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Retornamos para a rodoviária e após muita discussão com o agente de viagem, ele nos deu outro bilhete para Arequipa, porem chegaríamos bastante atrasados e acabamos por perder o passeio pelo Canion de Colca, um dos lugares mais lindos do Peru e lar dos Condores, as aves sagradas do Incas.

Enfim, acabamos por encontrar a tal pessoa que nos esperava e ela nos presenteou com uma estadia num hostel e um tour pela cidade. Não foi a mesma coisa, claro, mas estava tudo bem.

Fim do dia, conseguimos nos alimentar bem com o pouco de dinheiro que tínhamos. O mais incrível no Peru é que a comida é muito barata, se você procurar bem, mesmo em Cuzco ou Lima, é possível comer bem com pouco mais de 10 soles. As vezes conseguíamos uma boa refeição por apenas 4 soles. Claro com a indicação de nosso amigo Marco, de Cuzco.

Chega a hora de dar adeus à Arequipa, chegamos n rodoviária e pegamos o ônibus de volta para Lima. Após muitas horas viagem, estamos de volta a Lima. Desta vez não tínhamos mais que 10 pesos para se virar por dois dias. E para piorar a situação, eu havia cometido um erro gritante: quando comprei o voo para lima, ao invés de marcar a data de retorno para o dia 30/10, eu havia colocado para um mês depois. Ou seja, um mês depois!

Foto: João Paulo Porto

Foto: João Paulo Porto

Entrei em desespero, porque nem eu nem meu colega tínhamos mais dinheiro muito menos cartão de credito internacional para resolver o problema. A solução foi seguir para o aeroporto, pegamos uma van lotada de gente por 1 sole e ao chegar lá, tentei negociar com o vendedor. Não deu certo. Entrei em contato via Facebook, com meu tio que mora em são Paulo e ele conseguiu comprar uma nova passagem para mim, mas sai caro, muito caro. Porém, no final deu tudo certo. Retornamos sãos e salvos para nossas casas, eu na Paraíba e meu amigo no Rio Grande do Sul e tudo deu certo no final.

Foi uma viagem inesquecível e cheia de adrenalina e nunca irei esquecer aquele povo tão rico em cultura que, mesmo diante de tantas adversidades, sabe viver e aproveitar a vida nas limitações de sua própria simplicidade.
Como diria Oscar Wilde: “Viver é a coisa mais rara. A maioria das pessoas apenas existe.”

Texto: João Paulo Porto

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“Muitos pensam que sou rico. Outros pensam o contrário. O que ninguém sabe é que minha riqueza é medida em histórias, em experiências e pessoas. Sim, sou rico. Porque viajei o mundo sem um único centavo no bolso. Sim, sou rico. Por causa das pessoas que conheci. Mas acima de tudo, sou rico, por que descobri o verdadeiro significado da vida.” (Fergal Smith)
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2 respostas para Uma inesquecível experiência no Peru

  1. O Peru é um lugar mágico ! Todo mundo deveria incluir no roteiro!!!

  2. Fizemos um roteiro parecido tb em 15 dias – só invertemos a ordem Lima-Arequipa-Puno-Cusco e a Trilha Inca – Impossível não se apaixonar pela cultura.

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