Viajar não é coisa de ricos.

Faz tempo  que sigo e converso com um viajante português, o Filipe Morato GomesFelipe escreveu um texto recentemente e autorizou a fazermos a “tradução” do texto original em português-pt para português-br.

Viajar não é coisa de ricos.

“Quem me dera…” deve ser a expressão que mais ouço quando falo do meu próximo destino de viagem. Como se viajar fosse algo inatingível, como se fosse preciso muito dinheiro para sair de casa. Não é! Conheço quem tenha viajado mundo afora com um orçamento de apenas 300€ por mês. Conheço quem tenha ido viver alguns meses na Índia para diminuir seu custo de vida. E sei por experiência própria que não é preciso gastar fortunas para viajar. Mais que tudo, é preciso querer. Querer mesmo.

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Lembro-me de estar de partida para três meses pelo Oriente Médio quando ouvi esse mesmo “quem me dera” da boca de um amigo. “Queres vir comigo?”, perguntei-lhe perante o interesse demonstrado. “Quem me dera”, conformou-se. O emprego, a família ou namorada, a renda da casa ou o financiamento do carro – não me lembro -, e além da suposta insegurança do Oriente Médio, foram alguns dos seus argumentos para não fazer uma coisa que – dizia – queria fazer. “Mas quer vir comigo ou não?”, insisti. Não veio.

Em outra vez, quando estava a mesa de um café contei a alguns amigos que ia viajar por mais de um ano, outro amigo disparou: “Mas ganhou na loteria? Está rico?”. E alguns minutos depois começou a falar de um carro que gostaria de comprar e que provavelmente custaria duas voltas ao mundo.

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Como em tudo na vida, temos que fazer escolhas para que uma grande viagem aconteça. E, quase sempre, optar implica deixar de ter ou fazer coisas de que gostamos em nome de um objetivo maior: no caso, conhecer o mundo, viajar.

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Aquela saída noturna com os amigos de sempre, em um restaurante caro e aquela bebedeira na balada, equivale a vários dias de viagem na Tailândia. Aquele cinema adiado dá para muitos almoços nas ruas do Vietnam. Aquela peça de roupa que você namora a algum tempo converte-se em uma car trip . Isso sem falar dos sapatos, botas, sapatilhas ou carteira, do ato de deixar o carro em casa e caminhar, andar de bicicleta ou de transportes públicos, de cozinhar em vez de almoçar fora, de evitar comprar revistas e jornais diariamente, de diminuir o número de cafés por dia ou até parar de fumar. Sim, um mês sem cigarros é uma semana em muitos países do mundo. E arranjar um emprego que proporcione uma renda extra se preciso for. Resumindo: poupar para viajar.

Mais. Se todos os truques de poupança falharem, há sempre a possibilidade de viajar trabalhando, seja na recepção de um hostel, em restaurantes ao longo do caminho, na colheita de frutas ou, melhor ainda, no ensino de línguas, em tarefas criativas ou em qualquer negócio ou trabalhos online, onde a localização seja irrelevante – esteja você em um edifício de escritórios espelhado na capital da cidade ou numa cabana de praia nas Filipinas.

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Todos nós não temos que gostar do desconforto dos carros birmaneses, do lixo espalhado pelas cidades indianas, do trânsito caótico das metrópoles asiáticas, da poluição desmedida das cidades chinesas, da comida sem graça da Mongólia, do esforço físico de um trekking no Nepal, de passar 70 horas a bordo de um trem russo, das noites mal dormidas no chão de uma tenda, do calor infernal do deserto do Saara ou dos perigos da selva Amazônica, ou até do dolce fare niente de um all inclusive em Varadero. Mas temos por obrigação deixar de encontrar desculpas para não sermos felizes.

Mais que dinheiro, é preciso vontade para tomar as decisões que permitam partir. Optar. Porque viajar não é coisa de ricos – e disso tenho eu a certeza.

Texto Original, postado com autorização do autor.
Acompanhe mais em As Viagens de Filipe Morato Gomes

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Sobre Vagabundo Profissional

“Muitos pensam que sou rico. Outros pensam o contrário. O que ninguém sabe é que minha riqueza é medida em histórias, em experiências e pessoas. Sim, sou rico. Porque viajei o mundo sem um único centavo no bolso. Sim, sou rico. Por causa das pessoas que conheci. Mas acima de tudo, sou rico, por que descobri o verdadeiro significado da vida.” (Fergal Smith)
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20 respostas para Viajar não é coisa de ricos.

  1. Gostei muito do texto e compartilho da mesma idéia… Querer é poder, basta querer muito!!!!

  2. Muito fácil falar isso quanto se é de uma classe média / alta. Claro que é fácil viajar sem ter dinheiro, se não der certo, você volta para casa dos seus pais que irão te sustentar até arrumar um outro job cool para juntar dinheiro e fazer outra viagem. Ou mesmo se ficar sem dinheiro em outro país, papai envia a grana para passagem de volta. É muito fácil nesse mundo que vocês vivem e não conhecem a realidade de quem realmente não tem dinheiro. Claro, os exemplos citados de pessoas que falam “Quem me dera”, são também pessoas que tem condições mas não tem vontade, mas por favor, não venha me falar que sem dinheiro é possível ser um aventureiro, playboys…

    • Johnny disse:

      quando se quer, consegue……só digo isso, independente de qualquer coisa.

    • Higor Fidelis disse:

      Concordo com você Job Less, achei que ninguém iria comentar algo além de concordar com o texto. De fato quem quer consegue, mas quem pode consegue mais ainda.
      A realidade está longe de ser isso, pelo menos a minha. Abrir mão de comprar um carro, de comprar uma casa ou de não comprar nada para ir a um lugar parece um sonho, mas eu e as pessoas que eu conheço não poderiam se dar esta oportunidade. Enfim…
      Só acho que quem tem condições melhores para ir ver o mundo e não vai, de fato é burro, isso não há como negar! =P

      • Gostei do texto e da principal msg ” não é impossível”. Tudo que ele tentou colocar é que sim, é possível viajar e em nenhum momento ele disse que não existem escolhas. Isso independe da classe social e viajar não necessariamente quer dizer rodar o mundo. Você pode rodar o seu país, o seu estado, a sua cidade! Acho que pode se pensar grande sim, mas pode-se fazer o que teoricamente se considera pequeno.
        Conheço muita, mas muita gente que não sai de casa e vive colocando outras prioridades para não fazer nada que poderiam lhe fazer bem. Dizem que sentem vontade disso e daquilo, mas efetivamente não acreditam, pois como já cantava Renato Russo: ” quem acredita sempre alcança”.
        Aqui o texto sugere muito mais um olhar para dentro e o que realmente se acredita querer do que simplesmente falar em viagem..até porque a viagem para dentro de si é a maior aventura de todas!

    • Fernanda Flor disse:

      desculpa, mas as possibilidades sao para todos…e falo por experiencia propria, nao tenho mesada, nem casa dos pais pra voltar…talvez por isso, nunca mais tenha voltado e sigo viajando por esse mundo afora!
      Quando nao se tem essa opçao, nao há outra senao, fazer dar certo!
      Sorte nas suas decisoes!

    • Fernanda Flor disse:

      desculpa, mas as possibilidades sao para todos…e falo por experiencia propria, nao tenho mesada, nem casa dos pais pra voltar…talvez por isso, nunca mais tenha voltado e sigo viajando por esse mundo afora!
      Quando nao se tem essa opçao, nao há outra senao, fazer dar certo!
      Sorte nas suas decisoes!

    • Claro que é possível, há diversos emprego que deixam tu conhecer o mundo enquanto trabalha. Eu mesmo, abri mão do meu emprego na minha cidade, onde estão minha família meus amigos e meu namorado para conhecer o mundo a trabalho.
      Porém abrir mão disso não me fez infeliz, o fato de minha família, amigos e namorado entenderem que o que eu estou fazendo é para ser mais feliz, faz com que eles sejam mais feliz.
      Claro que é difícil estar num lugar onde tu não conhece nada nem ninguém, claro que da saudade de casa, das pessoas, claro que tem dias que você vai ter que escolher entre usar o dinheiro para almoçar ou jantar mas você acaba aprendendo a dar valor as pequenas coisas da vida, haverá vezes que você deixará de almoçar e jantar para dar o dinheiro para uma pessoa que não come a uma semana.

      E não eu não tenho pai nem mãe ricos, eu batalho pelo o que eu quero, economizei para poder viajar e desejei mais ainda conseguir esse emprego, não par de correr atrás, por isso devo de concordar completamente com o termo “viajar não é apenas para os ricos”

  3. Luis Andrade disse:

    Todos temos oportunidades na vida. Cabe a cada um decidir, dentro de suas limitações, sobre a sua trajetória para atingir a plena felicidade, seja qual for… Este texto, muito feliz, apresenta de forma simples e direta que é possível encontrar esta felicidade através diversas formas de viagens da qual eu corroboro. Parabéns.

  4. Assim, o único empecilho real que eu vejo, pra mim (e falo somente de mim) de ficar lá fora e sem grana é ser mulher e brasileira. Tipo, nem preciso falar muita coisa né? Não dá pra fazer que nem On The Road e ser sincera “ei tô sem grana, me arruma um trampo aí”… Sempre viajo com uma boa reserva e ainda não consegui dizer “Ah deu vontade, tô indo pro outro lado do mundo!”. Ainda fico insegura de estar sozinha :S Alguma garota-mochileira aí pra me dar umas dicas e/ou coragem? Hahaha

  5. Acho que o objetivo do texto é falar que as pessoas dão valor às coisas erradas. Um carro, ao invés do crescimento pessoal que uma viagem proporciona, por exemplo. Neste ponto concordo e acho, inclusive, que existem soluções para diminuir os gastos com o dia a dia e ajuntar, porém ser europeu e viajar é bem diferente de ser terceiro mundista e viajar. Já vivi na Europa e lá as passagens são muito baratas e as viagens, equipamentos de camping etc não são elitizados como aqui. Claro que isto está mudando no Brasil, mas não dá para comparar a situação de um viajante europeu a nossa! Eu acho que é preciso de dinheiro sim para viajar e de condições para poder ajuntar, mesmo que para isso se negue um carro ou casa própria. Este não é o caso da maioria e não estou citando somente os miseráveis, mas mesmo a classe C ou B do Brasil. Por hora, para quem tem esta possibilidade, com certeza é melhor apostar no mochilão do que no escritório e falsa estabilidade.

    • Concordo com você Camila, uma boa parte dos brasileiros tem mania querer ter só aquilo que aparece. Carrão, joias, bolsas e roupas caras, em detrimento de coisas que na minha opinião são bem mais valiosas. Minha primeira viagem internacional eu deixei de comprar um carro e não me arrependo da minha decisão. Hoje em dia tb continuo abrindo mão de muitas coisas para poder conhecer o mundo. Depende da prioridade de cada um, a minha é sempre guardar dinheiro para viajar.

  6. Eu e a Gabi demos a volta ao planeta!!! Só pra Tailândia fomos durante 3 anos seguidos!! Mais de uma vez ela se demitiu pra viajar comigo e sermos felizes!! Mais do que ver lugares bonitos, vimos sorrisos..vimos pessoas!!! Cinco anos após a 1º trip, ela sofreu um sério AVC. Hj ela só tem memória passada!!! Se tivéssemos comprado algo ao invés de viajar, ela não teria lembranças!!! Foi exemplo pra muita gente… porém hj, 2 anos depois do AVC, todos esqueceram o exemplo. Eu não poderia esquecer…afinal, eu ensinei a Gabi o valor de um sorriso qd se viaja!! Ela não viaja mais comigo…mas sempre sorri!!! Um abraço forte em todos!!
    deco

  7. É simplesmente, uma opção de vida.
    Não dá para conciliar planejamento para uma vida em família e futuro profissional, com viagens tão longas e cheias de aventuras.
    Realmente é possível, para quem quer, e opta por isso; abrindo mão não apenas das baladas, cinemas, uma camisa de grife, mas de muito mais do que isso.

  8. Pode até ser.. mas pra quem ganha um salário mínimo e precisa ajudar sua família em casa fica inviável. Eu acho q pra viajar assim por hobby, precisa no mínimo classe média….. isso q vc fala no post não condiz com minha realidade e nem com a maioria dos brasileiros. Qse um alienação pra quem vive no Brasil onde sequer muitos não tem nem domheiro pra pegar uma lotação e visitar amogos, famílias em outro pomto da cidade. Cai na real, véio!

  9. Pingback: Project 365 – day 26 | Ju Around the World

  10. tudo depende da prioridade de cada um, eu economizo muito para viajar, mas esse é o meu desejo, me sinto muito feliz quando estou na estrada. agora tem pessoas que até tem vontade de viajar, mas também quer um carro novo, um guarda-roupa abarrotado de roupas novas, mil pares de sapatos, comer fora todos os dias, baladas, tudo na vida é uma questão de prioridade !! eu amo viajar e faço qualquer sacrifício para colocar o pé na estrada!

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