Sobre a melhor coisa do mundo

Você descobre que o salgado assado com recheio de queijo e presunto pode se chamar nata, joelho ou italiano. E, apesar de amar os livros, não, isso não encontrei lá.
Você descobre que os americanos podem ser incrivelmente afetuosos e que se alimentam muito bem em Missouri.

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Você descobre que pode comprar três lagostas por R$10 em uma praia em Natal-RN e que a tirolesa ao vivo é bem mais alta do que parece. Ok! Eu amarelei mesmo!
Você descobre novos perfumes, novos sons. E novos silêncios.
Você de repente se dá conta de que também tem sotaque, e que ele pode ser carregado “MEXJMO”.

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Você vê Deus de perto porque aquela natureza toda só pode ter sido criação Dele. São infinitas as combinações de cores. São todos os degradês. E você descobre que pode até ter certo talento para as fotos, mas que elas nunca retratarão todo o sentimento vivido ali.
Você se descobre um aventureiro amador profissional! Faz trilhas inimagináveis, supera obstáculos incríveis. E deseja que todos os seus pudessem estar ali partilhando suas conquistas de perto. Superação! Super – Ação!
Você descobre que o céu do cerrado é o mais bonito e azul que você já viu até hoje, e que à noite revela mais estrelas que os olhos poderiam supor.
Você descobre que há tantas pessoas que vivem vidas completamente diferentes da sua, e que isso não as torna menos humanas que você.
Você descobre que água é fonte de vida, sentido literal e figurado. E que você pode nadar em um lago e não se espantar ao saber que ele tem aproximadamente cinco metros de profundidade, depois de ter jurado que jamais entraria lá.
Você descobre que usar capas de chuva nas Cataratas de Foz do Iguaçu não resolve quase nada. E que bom que não!
E você descobre novos sabores, novas cores, novas rimas!
Você descobre “new found love” por espanhol, e que sim, você nasceu para falar inglês.
Descobre que pode ser rápida, lenta, assim, tudo junto.
Você descobre que precisa aprender mais, saber mais, querer mais. E menos também!
Você descobre e experimenta a energia da Natureza de tal forma, que o fardo fica tão mais leve.
Você descobre que precisa de um olhar atento para flagrar aquela linda borboleta que acabou de voar em seu caminho. E de um pouquinho de poesia também.
Você descobre que olhar para fora é uma maneira de olhar para dentro, pois ver o outro e estabelecer semelhanças e diferenças é traçar um perfil de si mesmo.

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Você descobre tantas coisas…
…Inclusive o prazer de descobrir.
Deve ser por isso que dizem que o caminhar é mais importante que o chegar lá.
Na torcida para que haja sempre borboletas em meu caminho!

Texto:  Raquel Muniz Maya (Publicado com autorização da autora)

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Sobre Vagabundo Profissional

“Muitos pensam que sou rico. Outros pensam o contrário. O que ninguém sabe é que minha riqueza é medida em histórias, em experiências e pessoas. Sim, sou rico. Porque viajei o mundo sem um único centavo no bolso. Sim, sou rico. Por causa das pessoas que conheci. Mas acima de tudo, sou rico, por que descobri o verdadeiro significado da vida.” (Fergal Smith)
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11 respostas para Sobre a melhor coisa do mundo

  1. Que legal vcs terem gostado!

    • Parabéns. Estava em uma discussão hoje com uma amiga sobre o prazer de viajar de maneira simples, mochilando, compartilhando quarto com ilustres desconhecidos, vivendo de maneira mais simples. E seu texto retrata isto com perfeição. Meus amigos irão adorar. Parabéns

      • Obrigada, Daniel! Fico muito feliz ao saber que outras pessoas compartilham da mesma ideia e que puderam se “ver” também no texto! E certamente viajar é libertador quando vc tem a leveza necessária para observar! Abraços!

  2. Eloá Maciel disse:

    Adorei, Raquel!!! Deu prazer em ler!

  3. Eu amei o texto, viajei em minhas viagens a cada frase. Parabéns!!

  4. É exatamente o que procuro. Sair mochilando, uma vida simples, e descobrindo as coisas boas do mundo.

  5. Não, as fotos não retratam mesmo aqueles segundos em que falta o ar, quando você vê pela primeira vez uma montanha coberta de neve. É um sentimento indescritível. Aí você tira um monte de fotos, e nenhuma delas tem aquele encanto do olhar nu. Eu vejo e revejo as fotos, inúmeras vezes, e tento voltar aquele momento, para sentir tudo de novo. Este texto é uma linda explicação poética…

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