O viajante é você – Uma experiência na África.

Gostaria de compartilhar algumas coisas aqui da África…
Primeiramente, amo brigadeiro, mas eles não tem abridor de lata aqui, o jeito é pegar 2 facas, uma em pé na lata e a outra em cima batendo e ir abrindo.
Os chineses usam Dove, Head & Shoulders e Pantene, é estranho ver Palmolive com ideogramas, haha
Aprendi a tomar água quente, no Brasil só tomava se tirasse direto da geladeira bem fresca, faz parte.
No café-da-manhã os chineses comem ovo com carne moída em cima, falando assim pode não parecer tão ruim, mas olhando é bem nojento, às vezes são pedaços de carne com nervinhos.

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Banho quente será uma das maiores realizações quando eu voltar, a água é MUITO gelada, claro, isso é ótimo, mas não ter opção não é tão bom assim…Em relação ao banho, sempre ficamos sem água durante o fim de semana, quinta começamos a encher as garrafas de água pra estoque. Eles não tem chuveiro, costumo tomar banho de balde e quando dou sorte, com um chuveirinho de mão naquelas.
Tem uma balada aqui chamada Facebook, bizarro né?
Nas baladas eles dançam em frente ao espelho, quando fui tinham 2 TVs, uma passando The Voice e a outra Vampire Diaries…O camarote são sofás que você pode sentar se comprar um Whisky e uma Coca.
Hoje presenciei uma cena bem chata, o táxi aqui é preço único, eles não tem transporte público, e devido ao tráfico eram 300Fcfa, normalmente são 200, e a mulher com uma criança de colo começou a discutir com o motorista por isso, me senti tão mal de presenciar aquela cena de discórdia, convertendo é um pouquinho menos de 0,50 centavos.

Durmo com outras 2 brasileiras, é horrível, já é quente por dormir dentro do mosquiteiro, a cama nem de casal é…
Quando não falta água, falta luz, são longos períodos sem eletricidade, o que pra vocês é essencial, aqui é “luxo”. Pensar que quando tinha alguma queda de energia reclamava porque o microondas ficava 00:00, agora não tenho microondas nem forno.
O povo em geral é muito ignorante, quando não me xingam na rua, são os homens que assediam de alguma forma, com palavras não muito agradáveis, mas que fico feliz por não entender Francês nesses momentos… Acontece de enquanto eu ando na rua, eles querem tocar, passam a mão no seu braço…Me sinto péssima muitas vezes por ser a diferente aqui, sempre te olham de uma forma que dá medo, encaram, é difícil saber o que estão pensando.
Existem lagartos por toda parte, é super normal.
As frutas são vendidas nas ruas, na maioria das vezes no chão e são super caras.
O esgoto é entre a rua e a calçada, um vão que você precisa pular sempre que atravessar a rua…
Na escola os professores batem nos alunos quando eles aprontam algo, foi muito complicado ter estômago pra ver isso.
Finalmente comi camarão por aqui, mas ele veio inteiro, foi pescado naquela hora e frito, com patinhas, rabo, antenas…Tudinho!
Quando você viaja, descobre que não há certo e errado, existem costumes, tradições e que seu papel é desenvolver crianças, ensinar o que sabe, mas que ao contrário do que queria, não vou revolucionar só porque acho a situação aqui caótica. Essa é a forma deles de viver, só me resta respeitar. Se o trânsito aqui não tem regras, tudo é 2 mãos, não existe semáforo…essa é a forma de organização deles, é assim que sabem viver.

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Na auto escola aprendi: Os caminhões cuidam dos carros, carros das motos, motos das bicicletas, bicicletas das pessoas, algo assim.
Aqui na África é assim: Caminhões atropelam carros, que atropelam motos, que atropelam bicicletas e pessoas, mas pode ser misturado tb, um caminhão atropelar a moto e etc., no começo era assustador.
Meu principal objetivo era valorizar a vida, as pessoas, o que tenho…Consegui muito mais que isso, ao voltar do Brasil sei que cumpri minha missão com as crianças e com a sociedade local, mas muito mais, aprendi pra mim, meu desenvolvimento pessoal é impossível de mensurar, foi a melhor experiência da minha vida!
PS.: Não estou querendo ser dramática, essa é simplesmente a realidade aqui, estou muito bem, melhor do que imaginava que ficaria sem família e amigos, mas apenas respeitem a minha ótica de vivenciar isso tudo diariamente.

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Texto:  Mayra Di Domenico

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Sobre Vagabundo Profissional

“Muitos pensam que sou rico. Outros pensam o contrário. O que ninguém sabe é que minha riqueza é medida em histórias, em experiências e pessoas. Sim, sou rico. Porque viajei o mundo sem um único centavo no bolso. Sim, sou rico. Por causa das pessoas que conheci. Mas acima de tudo, sou rico, por que descobri o verdadeiro significado da vida.” (Fergal Smith)
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3 respostas para O viajante é você – Uma experiência na África.

  1. Mayra Di Domenico, Nunca fui na Africa, Mas adorei a simplicidade que postaste, diga-se com muito respeito, o que a Africa de ensinou!
    Parabéns!

  2. É uma grande experiência, sabia que seria um divisor de águas na minha vida. Pra quem tem a mente aberta, super recomendo! Vivemos para aprender, aprendemos para viver 🙂

  3. isaqqcoisa disse:

    Mayra Di Domenico Gostaria de entrar em contato com vc, estou embarcando para a Africa em janeiro, e seria muito bom poder conversar com alguem… Muito obrigada.

    Isabela

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