O mochileiro purista.

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Sempre me chamou atenção os mochileiros mais autênticos e puristas. Aqueles que você encontra dormindo em aeroporto/rodoviária, comendo em botecos ao lado de prostitutas e bêbados, viajando de carona na carroceria de veículos.
Esses mochileiros conseguem chegar ao ponto mais distante possível de sua zona de conforto. Sei que para muitos isso não faz diferença alguma, mas eu sempre quis me tornar um mochileiro mais próximo disso.
Hoje, cinco anos depois que coloquei pela primeira vez um mochilão nas costas, vejo que alcancei muito dos itens que eu considerava importante.
Aprendi que quanto mais purista, mais distante de minha zona de conforto, consigo aprender mais sobre a cultura local e conhecer mais pessoas. Isso vai muito além dos roteiros mochileiros convencionais.
Chegar muitas vezes à lugares pouco visitados, comer comidas exóticas que um turista jamais fica sabendo, são alguns dos prazeres desse modo de viajar.
Como comecei a correr atrás dos itens que eu achava importante?
Bom, primeiro comecei a viajar sozinho. Também procurei a não mais chegar nas cidades e sair pegando táxi. Procurar transporte alternativo acaba sendo uma experiência mais rica. São muitas opções, ônibus, trem, carona ou a pé. Viajar é mais que nunca procurar conhecer novas pessoas. Portanto, pegando um táxi o máximo que consegue é se estressar com o táxista e gastar muito dinheiro.
Comer fast food definitivamente sempre esteve fora dos meus planos. Preferi sempre lugares comuns e cheios de pessoas locais. Mercados públicos, botecos de pinguços ou restaurantes mais baratos. Nesses locais você conhece pessoas com a cara da cidade que está conhecendo, longe dos rótulos turísticos e do sorriso falso dos atendentes de gringos.
Antes de viajar, ao invés de procurar fotos e mais fotos dos lugares que pretendo chegar, procuro ler, estimulando minha mente para o que eu poderia encontrar, criando possibilidades. Se você focar em uma imagem, e viajar esperando encontrá-la, pode se decepcionar.
Entra nessa lista também hospedar-se na casa de moradores locais. Isso nem sempre é fácil, mas aprendemos os pré-requisitos com o tempo. Estar numa casa de família é conhecer a rotina, a comida e os hábitos. Hostel é sempre divertido, cheio de viajantes e local de muitas informações, mas é muito bom deixar de lado uns dias e mergulhar na essência da cidade e de sua população.
Acho que nada mais espanta as pessoas quanto a pegar carona. Todos sempre ficam com olhos arregalados quando se trata do assunto. Eu também achava meio cabuloso. Mas fui pegando o jeito despretensiosamente.  Primeiro pegando caronas dentro das cidades, e depois de algum tempo em rodovias. Esse é um dos itens mais clássicos de um mochileiro purista, vem lá da época dos beatniks, depois hippies até chegar no que hoje são os mochileiros.
E pensando nesses lendários viajantes, que marcaram época, não posso deixar de citar um último e importante item, viajar de mochila acampando!
No Brasil ainda se tem essa visão ignorante que quem viaja acampando, o faz por falta de dinheiro.
Balela! Não há melhor maneira de ter um contato mais próximo com a natureza que acampando. Convenhamos, estar numa praia deserta, hospedado num hostel, não combina! Concordam?! Portanto, experimente levar na mochila a barraca e ficar acampado por uns dias, seja num local selvagem ou mais estruturado.
Por isso, acredito que viajar sempre nos afastando de nossa zona de conforto, daquilo que parece óbvio e seguro, é mais rico e memorável.
Experimente viajar sem roteiro, sem guias. Faça acontecer aquilo que lhe vêm à mente. Os perrengues sempre irão aparecer, mas, não são deles que mais rimos quando lembramos das viagens?
Viaje, conheça, explore! Seja autêntico!
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Sobre Vagabundo Profissional

“Muitos pensam que sou rico. Outros pensam o contrário. O que ninguém sabe é que minha riqueza é medida em histórias, em experiências e pessoas. Sim, sou rico. Porque viajei o mundo sem um único centavo no bolso. Sim, sou rico. Por causa das pessoas que conheci. Mas acima de tudo, sou rico, por que descobri o verdadeiro significado da vida.” (Fergal Smith)
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4 respostas para O mochileiro purista.

  1. Concordo com tua visão do “sentir-se local”, e mais ainda com a questão da carona.Nos anos setenta, viajava sempre de carona.Atualmente, costumo dar carona no Uruguay, onde o pessoal é mais despojado de receios, e os caronistas mais dispostos…
    Abraço

  2. Joana M disse:

    Este é um daqueles momentos em que invejo quem nasceu homem e só se tem de preocupar com assaltos!

  3. Show o teu post, gostei da parte em que vc comenta sobre os perrengues, depois damos risadas, mas na hora…. Lembrei de uma, ao seguir para Arromanches, Normandia, fui crente que teria um lugar para acampar, e que de onde eu descesse até o local do desembarque do Dia D era um pulo, putz cheguei as 17::00 em Bayeux e teria que andar uns 13 km, fiquei louco…. Mas desenrolado como sou comecei a esticar o dedinho, até que consegui uma carona de ida, ao chegar lá, era terminantemente proibido acampar, rsrsrsrs, hotel os mais caros, hostel não existe, um friooooooooo 0 graus, com fome, a cidade toda fechada, ninguem para te dar informação, arrisquei, montei a barraca em um camping car, onde havia uma placa de proibido acampar, e dormi, no outro dia, mais 13 km para voltar, mas consegui outra carona…. Enfim, deu tudo certo…

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