Uma experiência de um dia como voluntária.

O Camboja é uma ex-colônia francesa, que por décadas sofreu com um regime comunista que teve como resultado a morte de mais de 2 milhões de pessoas no país, apesar de eu acreditar que esse número seja muito maior do que as estatísticas nos revelam. É uma história de guerra muito recente e andando pelas ruas do Camboja eu vejo com muita freqüência pessoas com braços e/ou pernas amputados, essas pessoas foram vítimas das minas terrestres, são geralmente homens, na faixa dos 30 anos que quando criança brincavam nas plantações e foram atingidos. Dizem que uma a cada 290 pessoas sofreram amputações, esse número revela a tristeza da história desse país.

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Foto: Letícia Mello

Quando cheguei em Siem Reap, a cidade base para conhecer o Angkor Wat, comecei a minha procura por um lugar para voluntariar. Através de busca na internet entrei em contato com um local, chamados de Khmer, que me buscou no dia seguinte para conhecer o projeto no qual ele estava envolvido.

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Foto: Letícia Mello

Sentamos para conversar um pouco e ele me convidou para ir de moto até a sua casa, que serve de guest house para os voluntariados, e fica há apenas alguns metros da escola local. Antes de subir na moto ele me mostrou o que eu ainda não tinha percebido: uma das pernas era uma prótese de plástico muito simples. Ver pessoas amputadas na rua era uma coisa, ter a chance de conhecer a história de uma dessas pessoas de perto era algo me deixou sem reação. Mesmo sabendo que ele era uma vítima das minas terrestres, perguntei o que aconteceu e ele disse que me explicaria no caminho, já que o vilarejo ficava a 1 hora de distancia da cidade e a falta do uso de capacete permite uma conversa.

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Foto: Letícia Mello

Prefiro não citar nomes. Ele tem 27 anos, quando tinha 10 anos seus pais o levaram junto com uma irmã e um irmão para brincarem nas plantações de arroz, o que era para ser uma tarde de diversão acabou em uma tragédia que marcou para sempre essa família: uma mina terrestre levou a vida dos seus 2 irmãos e ele se considera sortudo por ter perdido apenas uma perna. Devido ao preconceito das pessoas, ele não consegue um emprego na cidade, mesmo tendo um inglês muito bom fruto de seu estudo autodidata.

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Foto: Letícia Mello

As famílias desse vilarejo ganham em torno de U$D2 a U$D3 dólares ao dia, renda proveniente da pesca e da venda de arroz. Levam uma vida simples, com uma dieta a base de produtos que produzem, bebem bastante porque conseguem produzir um vinho de arroz caseiro (um sake de baixa qualidade) que não os custa praticamente nada. E essa é a realidade de praticamente todas as famílias que vivem na zona rural do Camboja.

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Foto: Letícia Mello

Infelizmente o projeto precisa de uma maior dedicação, visto que faziam 6 meses que a escola não recebia nenhum voluntário, esse período longo sem voluntários na escola não favorece o aprendizado dessas crianças. As condições eram precárias: crianças, galinhas, gatos e cachorros dividiam o mesmo cenário. Não havia nada por perto, ninguém falava inglês, muito tempo ocioso e nenhum voluntário para dividir essa experiência.
Nesse dia eu ainda dei aula para as crianças, mas infelizmente ali não era o meu lugar. Isso me fez sentir um pouco mal, pois sei que eles passam necessidades e que precisam de ajuda, mas no Camboja são tantas pessoas vivendo na linha da miséria e infelizmente não dá para abraçar o mundo. Estou tentando entrar em contato com ele e achar outra forma de ajudá-lo. Apesar de ter passado apenas um dia lá, foi uma das experiências mais marcantes que eu vivi até agora em terras cambojanas.

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Uma resposta para Uma experiência de um dia como voluntária.

  1. Que tristeza sem fim. Gostaria tanto de poder ajudar!

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