“Você é rico?!? Como consegue viajar por meses assim?”

Vagabundeando pela internet em um domingo de chuva encontrei esse texto e me senti na obrigação de compartilha-lo com vocês. É a resposta a todas as pessoas que dizem que somos ricos, temos dinheiro ou coisa que o valha, quando dizemos que passamos os últimos 3 meses viajando, por exemplo.

Dinheiro

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Como a classe média alta brasileira é escrava do “alto padrão” dos supérfluos.

Adriana Setti


No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.

Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.

Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.

Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.

Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.

Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.

Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves,  tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).

Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.

Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.

Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).

É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte dosavoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.

PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil.

O texto foi escrito pela Adriana Setti na coluna Mulheres pelo Mundo da Revista Época. (Usado com autorização da autora)

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161 respostas para “Você é rico?!? Como consegue viajar por meses assim?”

  1. Guilherme disse:

    Muito bom o texto, também vivi em BCN por um ano e aprendi tudo isso. Mas aí vem a pergunta de 1 milhão! E se vc tem o interesse de casar, ter filhos e desenvolver uma carreira em uma área específica (que não seja de estudante)? Não dá pra ficar viajando all the time não é mesmo? Por isso estou em, SP. Aprendi que luxo gera escravidão, mas por contas dessas coisas, não consigo viajar há 3 anos (antes desses 3 anos dei uma volta ao globo numa boa, ganhando menos do que ganho hje). Portanto, nos próximos 10 anos vou fazer essas coisas que citei em SP e com 40, se Deus quiser “aposentado” volto às trips.
    Parabéns pelo texto, descreve direitinho a delícia da vida de “solteiro e sem filhos”!

    • Ju disse:

      ….isso mesmo! Solteira e sem filhos….. assim é fácil……quero ver com dois filhos para levar para escola, inglês, esportes…..cozinhar, lavar…..etc…..

      • Discordo de vocês, não é nenhum bicho de sete cabeças viajar, mesmo tendo filhos. Digo isso por ter bons exemplos na minha família. Meu tios fazem duas viagens todos os anos, uma com meus primos e outra sozinhos. Isso ganhando salário de professor e pagando financiamento do carro e da casa e todas as dívidas que duas crianças de 10 e 8 anos podem gerar. Claro que não dá para ficar três meses seguidos, mas 10 dias dá. É só uma questão de planejamento e vontade.

  2. Maravilha de texto. As pessoas se tornam gradualmente escravas do materialismo, infelizmente.
    “..antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade.”

  3. Clever Costa disse:

    Interessante. Super interessante.
    As opiniões aqui descritas são cachoeiras de informações para nos posicionarmos nesta realidade brutal no Brasil e a tranquilidade de uma vida européia.
    Nada comparável e muito menos possível uma analogia para se viver aqui…igual lá.
    Li, acima, quanto às responsabilidades com a família deixada aqui: avós, tios, pais e filhos. Não há nenhum comentário a respeito.
    Também não há nenhuma citação quanto às conquistas materiais para uma simplicidade de vida urbana: Aquisição de bens móveis, imóveis, planos de saúde, geração e criação de filhos. Canais de TV, telefonia, colégios, cursos, bares e restaurantes. Diversão. Crenças. Etc.
    Como estariam nos projetos de vida de qualquer casal estas necessidades?
    Ainda assim haveria “tempo e sobras$” para tantas excursões nos países europeus?
    Nesta fase vivida por jovens estudantes (entre 16 e 30 anos), na maioria ganhando uns trocados por aqui e ainda dependentes dos pais, as idas e vindas pelas praias brasileiras são tão frequentes quanto as baladas noturnas e shows pelo pais dos grandes nomes artísticos e cênicos.
    Tirando a ambição consumista das classes altas e médias deste Brasil varonil…dá tudo na mesma.
    Cabe a nós brasileiros tentarmos viver um pouco melhor e aos “jovens estudantes estrangeiros” um planejamento, a curto prazo, para se conquistar a tão almejada liberdade financeira e turística.

  4. Celso disse:

    Pra quem gosta é uma boa idéia mesmo.

  5. Suzie disse:

    Ótimo texto, concordo plenamente. E acho que se aplica a vários setores da sociedade brasileira sim. Estava a andar por minha cidade com alguns amigos americanos que se surpreenderam com a quantidade de casas na periferia, de madeira e algumas em lugares totalmente insalubres, com antena “sky”, ar-condicionado, tv led… Brasileiros, às vezes, são inacreditáveis.

  6. Rosi De Name disse:

    Me sinto a verdadeira européia já que mesmo podendo pagar, prefiro lavar minha própria roupa e cozinhar minha própria comida, não compro roupas caras e onde posso, vou a pé. Há alguns anos, chutei o pau da bar raca eparei de trabalhar pra poder curtir minha família. Me matei por quase 20 anos pra ter esse privilégio. Estive em Barcelona, Madri e Paris, onde meu marido foi assaltado, no mês de abril. Em novembro vamos pros EUA visitar parentes e fazer umas comprinhas básicas pra casa nova. Vivo uma vida simples aqui e em qualquer lugar.

  7. Juca disse:

    Concordo que todos nós de alguma forma somos escravos da matéria e isso independente de nível social porque mesmo pra quem mora na Europa precisa de dinheiro, mesmo que sua matéria se refira a classe média paulistana, vou além. E o ser humano precisa se desapegar da matéria para ser mais feliz e se libertar da escravidão. Mas a Europa está quebrada, EUA também porque o modelo sócio econômico do mundo é baseado no consumismo para isso gerar empregos, para gerar renda, para novamente gerar consumo e isso vira um circulo vicioso altamente dependente. Tanto que isso é verdade que até a Espanha está quebrada e se não for o primeiro país, é um dos mais quebrados da Europa. Faltam empregos, pessoas estão se virando como podem para se manter. Isso porque o nível de consumo reduziu muito, reduzindo o consumo, se reduz a demanda por serviços e produção industrial, que reduz a quantidade de empregos e os salários. Infelizmente, mesmo em países como a Espanha o que reina é o Neoliberalismo, modelo que quebrou os países antes ditos como prósperos. Está bem, tem brasileiros que viajam muito pela Europa porque não tem responsabilidades e nem obrigações financeiras fixas. Mas pergunta como está o povo europeu, a maior parte pobre, desempregado como os espanhóis estão se virando para se manter com a economia quebrada e a falta de empregos? É fácil falar para quem não tem obrigação. Diga isso a um espanhol sem dinheiro, falido, desempregado!

    • Mark disse:

      Neoliberal ou corporativismo bancário, isto é, corrupção? Se tivessem real liberdade esse problema jamais teria acontecido em toda Europa. Neoliberalismo na Espanha? O mesmo país que queria proibir placas solares pois a criação de energia deveria ser monopólio das empresas de Energia? Isto é o ápice da corrupção e poder do estado em dar aos chegados benefícios. De liberalismo não há nada na Espanha.

  8. catalao disse:

    Ens agrada molt.

  9. Miguel disse:

    Morei na Australia por 1 ano, ganhava 1,5k ausd por mes e era rico! Viajava para todo lado… Gold Coast, Bali, Tailandia, Tahiti etc… Trabalhando como pedreiro, garçom e faxineiro… Isso sim é viver! O problema é: e quando ficar velho? Como faz?
    Tem que fazer o “pé de meia” …

    • Mark disse:

      Basta economizar. Em todo o lugar do mundo depois de velho você ficará abandonado se não tiver o próprio plano de previdência. Ou você acha que no Brasil esperar alguma coisa do INSS vai poder ter uma velhice tranquila?

  10. Fábio Viana disse:

    Excelente texto! Nunca fui de classe alta (pelo contrário!) e talvez por isso nunca ostentei pois acho que muitas vezes isso ocorre por que as pessoas estão presas a esse mundo, acha que realmente o importante é contar vantagem dentro da sociedade em que estão inseridas… Sempre tive vontade de viajar mas acreditava que faria isso com alguém próximo, amigo ou namorada, enfim, nunca pensei na possibilidade de ir sozinho ou me encontrar com mochileiros por ai, ate porque essa de ‘mochilar’ não era uma opção pra mim, no entanto, não faz muito tempo, encanei de fazer uma viagem aproveitando um período de férias e desencanei, fui em busca de companhia pela net. Encontrei uma galera que estava organizando uma trip de alguns dias pelo destino que eu estava interessado e embarquei com eles. Foi um destino local mesmo, porém inesquecível. Nossa, como essa viagem me abriu os olhos! Fiz amigos, conheci locais e paisagem incríveis e abri minha mente. Percebi que poderia viajar gastando pouco (ou bem menos do que imaginava), que ‘mochilar’ era um estilo de vida muito bacana e que eu queria fazer aquilo muitas vezes. Percebi também o quanto estava (ainda estou, infelizmente, mas pelo menos percebi isso e quero mudar) fechado num mundo maluco de trabalho e estresse e o quanto eu não estava aproveitando minha vida. Moro em Fortaleza/CE, hoje uma cidade muito violenta, trânsito caótico e sem muitas, ou quase nenhuma, opções de diversão ao ar livre, ou seja, sem qualidade de vida, não muito diferente da maioria das grandes metrópoles. Devido a isso praticamente não saio de casa e a minha fuga esta sendo viajar. Ja viajei mais nos últimos 18 meses do que em toda a minha vida ate então. A maioria pra destinos tupiniquins mesmo, mas descobri que amo viajar, ta com o pé na estrada conhecendo lugares e pessoas diferentes. Me sinto vivo! Estou há algum tempo pensando em sair do país e ficar o maior tempo possível (e nem voltar se for o caso… rsrs), porém ainda acho isso muito difícil por achar que, como um colega comentou anteriormente, devido a questões legais de cada país, não me deixarão permanecer por muito tempo sem uma permissão legal, o que imagino ser muito difícil conseguir. Por isso gostaria de perguntar aos que mencionaram que vivem ou viveram em outro país, como fazem/fizeram pra permanecer nesses locais? Têm nacionalidade? Além da língua, que estou em processo de aprendizado, essa é uma outra questão que me deixa com um pé atras pra tentar fazer o que gostaria.

    • Joana Gonçalves disse:

      Fábio, morei fora e já fiz viagem para o exterior de tudo quanto é tipo: a trabalho, a passeio, de mochila, hotel cinco estrelas, três, uma, nenhuma, em albergue, casa de família… Depois que vc começa, não quer parar mais. Não tive problemas para ficar mais de três meses pq tinha permissão para estudar. então, estudar pode ser uma boa desculpa pra vc ficar… Soube de ONGs que recrutam gente para trabalhar em outros países e aprender a língua. Eles arrumam o trabalho e vc fica por um período (geralmente cuidando de idosos, de crianças…), Vc deve se informar tb no que diz respeito às viagens solidárias. Você escolhe uma entidade que faz algum tipo de trabalho social e diz por quanto tempo vc pode ajudá-los – mas aí as acomodações são por sua conta… Tenho uma amiga que foi para os Estados Unidos estudar a língua e aprender o que tinha de fazer em uma entidade na África. Ela só pagou a passagem e teve uma pequena ajuda de custo para se manter lá. Ficou dois anos… Entre no meu Face que lhe dou mais dicas… (Joana Fátima Gonçalves)

      • Fábio Viana disse:

        Legal Joana! A possibilidade de estudar é o que imagino de momento, mas o investimento inicial para passar muito tempo ainda é bem alto, daí não estou seguro ainda. Vi alguma coisa sobre o trabalho em ONGs, mas achei que só era possível a quem já dominasse a língua. Bom, vou deixar uma mensagem no seu Face e aproveitar suas dicas. Obrigado!

  11. Vanessa disse:

    O texto é bom para uma realidade específica né?!

  12. Renata disse:

    Excelente texto! Estive na Europa por 2 vezes e, realmente, eh notoria a diferenca de estilo de vida neste continente maravilhoso (Europa)! TUDO la funciona, o que torna a vida mais facil e prazeroza. O sistema de transporte publico, entao, nem se fala!! Eh td muito organizado e as leis sao seguidas a risca, de maneira geral! O Brasil eh um pais lindissimo, porem, no quesito “lei”, esta muito aquem do que deveria… Infelizmente…

  13. Alex disse:

    Desculpe, mas a autora e seus pais são ricos aqui no Brasil, para terem casa na praia, motorista, empregada, baba,carro extra etc. E fácil bancar o politicamente correto quando se tem um padrão de vida bom como ela tem. Infelizmente hoje no Brasil so tem rico ou pobre, a classe media virou classe merdia!!!!!

    • A questão que ela levanta sim, fala direto com a classe média brasileira. E sim, é muito fácil falar porque ela já está nesse padrão de vida. Mas raciocine comigo: É melhor ela aproveitar a facilidade dela pra dar um conselho que vale pra todos do que se censurar e deixar todo mundo cair na mesma armadilha que prendeu os pais dela, não é mesmo? de fato, aqui no BR só tem rico ou pobre e a classe média virou a puta da classe A. Ao meu ver é interessante chegar à classe média e se desprender da armadilha de ter um padrão de vida mais caro do que se pode pagar. Há tempos tenho a mentalidade de que, quando chegar à classe média, quero chegar com o padrão de vida da classe A mas com os gastos básicos da Classe C. Não adianta ir tão longe e quando chegar lá se tornar escravo de gastos com carro do ano, imóvel novo a cada 10 anos, apartamento de luxo… O Ser humano é o mesmo desde o paleolítico, com as mesmas necessidades: abrigo, cuidados físicos e emocionais, alimento e distração. Dá pra ter tudo isso de forma barata.

      • Mark disse:

        Exato. Consumismo move a economia, mas pode ser uma armadilha para os desinformados. Quer ascender economicamente e trabalhar igual a um cavalo por um tempo? ok, mas querer manter o ritmo para manter os seus gastos apenas? Bem, daí você está gastando demais.

  14. Bruno disse:

    Nossa que texto lindo e utópico!

    Tem outras formas de vivermos estas vidas livres, podemos todos voltar a viver em cavernas e abolir de uma única vez o dinheiro!

    Quem lê este texto acha que na Europa as coisas são perfeitas saias mil maravilhas, por o autor não colocou ai no texto onde é o apartamento dos pais, qual o valor do aluguel.
    É fácil eles passarem a vida interfira viajando, pois durante toda a vida deles eles juntaram dinheiro e bens.
    Agora sobre as frases piegas de lavaram suas roupas, fizeram sua comida, limparam a sua casa que coisa mais cretina!
    Se querem qualidade de vida e a família perfeita pq as mulheres não voltam a criar apenas suas famílias os homens a manter financeiramente pois antigamente a coisa ia muito bem também!
    E o que faríamos com as famílias que são sustentadas pelos salários ganhos para cozinhar limpar e lavar a roupa destas pessoas???
    Vamos acordar para a real é a mesma coisa de preservar a natureza mas todos querem suas tecnologias, seus banhos e a energia né vamos voltar todos a morar em cavernas e produzir nossos próprios alimentos e fogo assim iremos preservar e muito a natureza e poderemos viver a pobreza feliz pois sempre foi sinônimo de vitoria e conforto a pobreza e a pobreza sempre foi o sonho que todos tentaram alcançar!

    • Ric Cardoso disse:

      “É a mesma coisa de preservar a natureza mas todos querem suas tecnologias, seus banhos e a energia né vamos voltar todos a morar em cavernas”
      Desisti de dar uma resposta a altura depois de ler essa frase.

      • Cristiane disse:

        Idem.

      • Jéssica disse:

        Pois é, não vale a pena responder…ele só vai se dar conta quando sair do Brasil e avaliar a monstruosa diferença do custo de vida em comparação com os países europeus. No fundo o quê a autora quis dizer é que na vida há coisas que são questão de prioridade e que realmente não é preciso ser rico para se viver bem em termos de vida social e cultural na Europa, enquanto no Brasil e , principalmente em São Paulo, tudo custa uma fortuna…aqui (vivo em Portugal), as pessoas só fazem crédito para carros e imóveis, eletrodomésticos no máximo…no Brasil é preciso ter conta e pagar à prazo em tudo que é loja para se ter o acesso às mesmas coisas…

      • Também pensei em responder… mas não a argumentos para alguém que só esta a par do que acontece ao seu redor – na sua vizinhança!

  15. Nanci disse:

    Adorei o texto. Me descobri mochileira há alguns anos e não parei mais de viajar (dentro e fora do país). Vivo sem luxos, sem empregadas, sem carro e sem roupas caras, com isso economizo o suficiente pra poder viajar e desfrutar nas minhas viagens, que são pra lá de econômicas. Infelizmente não posso parar de trabalhar pra viver só viajando, mas quem sabe um dia.

  16. Marcelo disse:

    Ótimo texto, nos tornamos escravos em consumir produtos que não precisamos, de empresas que não são nacionais e que enviam recursos para fora, para que seus compatriotas usufruam. Vivemos em um sistema feudal camuflado.

    • monica disse:

      Eu concordo com a teoria do desapego…mas discordo em outros pontos, Se a Europa fosse um paraiso eu nao estaria dividindo a sala de aula na Australia com 15 europeus q nem sequer querem voltar p europa.

  17. Lhindo texto! Tô só vendo aqui nos comentários quase a mesma filosofia: “oh, porque ela e a família são ricas, que elas tão falando isso”. Mas o povo se esquece, é que independentemente das classes sociais, tem pessoas que preferem viver assim a vida toda – comprando coisas caras e desnecessárias, e vivendo vidas superfluas. Eu posso falar, que pq vivo de perto da realidade (acho que sou menos do que classe média haha) e vejo que muitas pessoas pobres sustentam por anos e anos hábitos como esse, ou bem parecidos, dentro do nosso contexto. Já começa pela roupa (que a pessoa pode comprar uma calça jeans de 50 ou 60 reais, e aí ela compra uma de 215, sendo que as vezes a de 50 é simples, mais bonita), depois vem o cabelo (300 conto só de salão, enquanto podia confessar seus cachos ao mundo e ser lhinda por não mais que 50 reais) e por aí vai. Acho que muita gnt não interpretou direito o texto: trata-se muito mais de uma questão de valores, do que simplesmente elogiar uma cultura e depreciar outra.

    • Alexandre Vieira disse:

      Parabéns… até agora vc foi a única que leu e interpretou o texto, estamos sendo escravos do consumismo, se o vizinho compra um carro novo e outro vai lá e compra um melhor e nem tem como pagar e vive correndo atrás… e os jovens estão vivendo somente de farras, festas, panos de grife e muitos para serem aceitos nesta sociedade estão roubando… e assim segue o modelo capitalista…
      Deixei minha profissão de Analista de T.I. que tanto falam que é o futuro, para me dedicar mais a mim e a minha família e não me faz falta essas grifes, minha preocupação atual é comer bem, um bom colchão e travesseiro…

  18. Lia Mendonça disse:

    Me identifiquei bastaaaante com esse texto! Definitivamente levo o mesmo estilo de vida e consigo abrir mão de muitas outras coisas pra poder estar fazendo algumas viagens. Meu work é de horário flexível e isso facilita bastante. Sempre me perguntam de onde vem tanto dinheiro. rs Não ganho mais que muita gente, apenas escolho gastá-lo com outras coisas, viajar definitivamente é uma delas.
    Belo texto!!

  19. Gilmara disse:

    Simplesmente SENSACIONAL !

  20. Amanda disse:

    O texto funciona para quem já começou a vida em vantagem.

    Mas quando você precisa construir tudo com as próprias mãos não é bem por aí que acontece não, quem – como eu – precisa criar seu próprio caminho tem que trabalhar muito, muito mesmo! Mas nao é pra manter carrão, sofás ou roupas de marca. Eu preciso fazer isso tudo para ter carro popular, roupas apresentáveis para trabalhar, acesso à cultura e, de vez em quando, uma viagem.

    Fora isso, eu concordo que, objetos e ostentação não deveriam ser indicadores de sucesso ou felicidade. ;)

    • Negativo. O texto funciona pra quem quer ter esse estilo de vida. Sou e sempre fui pobre, mas eu tenho planos de subir na vida. Ter mais poder aquisitivo e um padrão de vida invejável. Note que nada disso está atrelado ao consumismo e sim, à qualidade de vida que comprar o necessário e evitar luxos desnecessários traz pra qualquer um. Nascer pobre não é desculpa pra morrer pobre. Se você precisa ralar muito só pra conseguir o básico, tá na hora de encarar a possibilidade de voltar a estudar, fazer uma faculdade pra ter um perspectiva de crescimento. Quem quer arranja soluções, não desculpas.

  21. Maurício disse:

    Certo, mas esse texto é de uma elite pra outra. Você pode até ser uma pessoa que economiza horrores em uma viagem, mas só o fato de ter tempo disponível pra fazer viagens, sem ter um emprego fixo e renda, mostra que não há responsabilidades de provedor de uma família ou de pais idosos, doentes, enfim, pessoas que dependem financeiramente de você.

    Todos querem viajar, e muitos simplesmente não o fazem exatamente porque tem responsabilidades maiores, que necessitam de algo estável.

    Todas as críticas do texto servem para uma parcela de 5% (ou menos) da população sendo criticadas (dentro desses 5%) por 1% de pessoas que são menos esbanjadoras, mas que poderiam ser chamadas de ricas sim pela maior parte da população (fora desses 5%).

    • Discordo. O que muda de uma classe para outra talvez seja o tempo de viagem, mas em todas as classes é possível sim se dedicar à uma vida com menos superfluos e mais viagem/cultura.
      Somos de classe média baixa (apesar de que pela classificação do governo já seríamos classe média-alta) e mesmo assim conseguimos viajar relativamente bastante. Temos um apartamento modesto, um Ford Ka velho e um March financiado. Não usamos roupas de marca nem gastamos horrores saindo para jantar fora.
      Fico puto quando alguém me olha com essa cara de “ai, quanta grana vocês gastam em viagens” ao mesmo tempo em que essa pessoa está todo ano trocando de carro ou morando em uma casa nababesca.

    • Aninha Schuch disse:

      Não, Mauricio, acho que o viés do texto está em justificar que muitS pessoas conseguem viajar porque não gastam com superfluos ou ostentacao, enquanto muito mais dd 5% da populacao às vezes nem tem dinheiro pra se alimentar direito ou pagar as contas basicas porque gastam com tv de led, tv a cabo, roupas caras de marca, essas coisas… é só reparar em quantas parabolicas ou antenas da Sky vc enxerga nas favelas e periferias.

    • Marcelo disse:

      “Você pode até ser uma pessoa que economiza horrores em uma viagem, mas só o fato de ter tempo disponível pra fazer viagens, sem ter um emprego fixo e renda, mostra que não há responsabilidades de provedor de uma família ou de pais idosos, doentes, enfim, pessoas que dependem financeiramente de você”.

      Verdade que muito poucos têm o privilégio hoje em dia de tirar um ano sabático e/ou o luxo de viajar com frequência por três meses ou mais.

      Porém, não excluamos as possibilidades levantadas pela autora. Temos aqui em casa responsabilidades de provedor de família E de pais idosos, doentes, enfim, pessoas que dependem financeiramente da gente e, mesmo assim, não nos furtamos a viajar sempre que pudermos para ampliar os horizontes em meio dessas responsabilidades.

      A partir de um momento, tal qual os pais da autora, apenas parei de seguir nessa corrida materialista e me preocupei em consolidar a vida de agora. Ou seja, em vez de buscar ganhar mais, parei de jogar tempo e, principalmente, dinheiro fora por conta de maus hábitos bem descritos pela Karol Castanhede aí em cima.

      Trabalho no ramo financeiro e, mesmo ganhando hoje muito bem (para quem veio da classe C e só entrou na faculdade com vinte e tantos anos), almoço marmita com estagiários e auxiliares administrativos (para horror e gozação dos colegas), vou e volto do lugar chique em que trabalho de trem, metrô e ônibus todos os dias. Só com esses dois hábitos, poupo cerca de mil reais por mês, que seriam ‘desperdiçados’ nos restaurantes e pelo escapamento do carro todos os dias. E, como esse dinheiro estava fadado a ir pela janela mesmo, essa quantia e mais algum dinheiro proveniente de outros hábitos racionais são direcionados tanto para proporcionar bem-estar adicional aos que dependem da gente, quanto para viagens em todas as férias.

      Nunca tivemos domésticas, não comemos fora todo sábado e domingo, cozinhamos nossas refeições e nossa marmita. O único luxo é termos apenas uma diarista que nos ajuda duas vezes por semana, afinal os cônjuges trabalham fora. E o único carro que temos é, efetivamente, um carro de passeio. Compacto. Não somos ricos, mas temos ricas lembranças por conta de momentos que pudemos nos proporcionar.

      Ou seja, a mensagem desse texto é válida para todas as classes e também, a meu ver, um alerta para todos. Até porque, pelo que vejo no trabalho, essa sanha consumista de querer sempre mais, sem se privar de nada, levara o país como um todo para o buraco logo, logo.

      À propósito, alguns dos colegas que antes riam de mim, passaram também a trazer marmita.

  22. catia garcia disse:

    simplesmente fantástico, obrigada por nos oferecer esta luz no final deste túnel escuro de sampa

  23. Fabiola disse:

    Gostei do seu texto. Momentos são melhores do que coisas!

  24. mirian madureira disse:

    bacana o texto……ja pensei em alugar meu cantinho…e passar uns tempos dentro de uma barraca espaçosa, no quintal, onde houvesse um banheiro disponivel neh!?!
    mas a idéia não passou da primeira página… ta valendo pela reflexão…mas não desisti hein!!

  25. Clodoaldo disse:

    Muito interessante esse texto. É muito bonito e tal ficar essa ideia de jogar tudo para o alto e sair viajando pelo mundo. Mas, para isso, é necessário ter um certo dinheiro e já ter um outro emprego engatilhado. Para viajar você precisa de dinheiro, e para ter dinheiro você precisa trabalhar. A não ser que você seja um vagabundo parasita sustentado pelos pais.

  26. Escobar disse:

    Belo texto! O triste que vejo de muitos amigos é a necessidade de SE MUDAR para a Europa para vivenciar isso lá e apenas lá… e não aplicar essa filosofia por aqui. Eu vivo bem e simples em São Paulo, por ex, e acredito em medidas que possam ser tomadas aqui mesmo para alcançar os ideais de lá. Mudar a cabeça de quem mora aqui é o desafio, e não confortavelmente se mudar para onde boa parcela desses ideais já funcionam.

  27. tania disse:

    Gostei muito, pois nos faz “acordar” para uma vida mais “simples”, menos consumista e viver de fato a vida. Não sabemos quanto tempo ficaremos por aqui e o que levamos de fato daqui, são os momentos vividos ao lado de quem mais amamos.
    Recentemente viajamos para a Paraíba (março/13) com meu pai e hoje (agosto/13), ele já não está mais aqui, porém, os momentos vividos com ele, com certeza serão eternos!!! :)

  28. Marcelo Ferraz disse:

    Adorei esse texto! Finalmente alguém q pensa como eu! Sou músico, mas trabalhava com engenharia. E de boa, ter uma conta bancária cheia pode dar segurança, mas honestamente, as pessoas se escravizam por DINHEIRO. Então eu vi q eu tava com dinheiro, mas não tinha a felicidade q eu pensava q poderia ter.

    Simplesmente larguei tudo e fui ser músico, coisa q na verdade sempre fui. A vida fica mais apertada, mas você vê q dá pra viver SIM com pouco dinheiro e na verdade, nós nos apegamos a centenas de coisas supérfluas, q não têm utilidade vital-efetiva na nossa vida.

    Muito bom seu texto! Continue assim!

  29. Maria Cysne disse:

    Concordo em parte com o texto, mas escrevo pelo que discordei.
    Morei com minha família na Inglaterra e não achei que as pessoas lá fossem felizes ou bem mais felizes que nós cearenses, que meus conterrâneos da Serra da Ibiapaba, nas terras do “Padim Ciço” ou entre as serras do Maciço de Baturité.
    Rapidamente descobrimos que as pessoas faziam as coisas em casa não por prazer ou uma decisão política, mas porque pagar empregada seria dar parte grande do salário muito reduzido da classe média. Por exemplo minha bolsa era de 1200 libras que com o meu salário de professora no Brasil (este dividido por 4 libras) somavam 1500 que davam para vivermos em nível bem abaixo do que tínhamos no Brasil e pensar em pagar alguém para ajudar era um palavrão. Meu orientador ganhava cerca de 4000 mil libras que para o custo de vida inglês é muito pouco. Quem podia pagar na universidade para poder trabalhar dois expedientes, pagavam por semana a estudante estrangeiros que precisavam de um local para morar e de dinheiro extra para um divertimento de ir ao cinema ou aos pubs no final de semana.
    Moramos em Brighton por 4 anos e com amigos morando na França, na Suíça, na Alemanha, em Portugal e na Itália e a situação da vida cotidiana dos não ricos era parecida com a dos ingleses. As vezes os professores me chamava de rica porque dava presentes considerados caros aos meus filhos nos aniversários deles, incluindo viagem em família nas férias com em pacotes para a terceira idade que era bem mais barata e de ônibus. Ou me chamavam de generosa quando levava um presente de aniversário.
    Assim, o problema que considero no texto é um parecer indicar um modo de vida para ser feliz como sendo o que apresenta. O que a minha família encontrou para ser feliz e graças a Deus somos de bem com a vida, conquistamos conforto que não tive na minha infância e adolescência, viajamos sempre com poupança ou milhas acumuladas, sozinhos ou com amigos, curtimos nossa terra natal, o verdes mares bravios do de Fortaleza, praias maravilhosas, a secura do sertão em suas veredas, parar no tempo para comer tapioca e cuscuz com carne de sol em uma conversa fiada e gargalhar impagáveis. Participar da caminhada com Maria, das festas dos padroeiros de nossas paróquias, encontrar pessoas queridas e saudosas espalhadas por este mundo afora, apenas entrando no facebook é muito prazeroso para nós. Mas, é nosso modelo de vida e de ser feliz, muito nosso, não servindo para os outros, porque são nossos valores e são de algumas pessoas, mas diferentes de muitoas outras.
    Acho que porque nasci no interior andando descalça pelos sítios da família, depois vindo para a capital em um momento financeiro de ‘pindaíba’ da família tenha nos dado a graça de adorar nossa vida e todas as graças que recebemos diariamente. Como era pobre, foi por alguns benefícios de Deus me tive oportunidade de estudar em bons colégios, públicos e, por caridade privados. Tinha dias em que minha me aconselhava a aceitar alguma merenda das colegas ricas porque não sabia se teríamos almoço quando eu voltasse; muitas vezes era só um “tarrabufado” delicioso que ela inventava com ovo e farinha.
    Hoje sou professora doutora em universidade federal com estudos no Brasil e Inglaterra (o daqui bem melhor em aprofundamento teórico e que me valeu a publicação de um livro que após 20 anos ainda é lido e citado). Minha formação bibliotecária (há época muito desvalorizada) me permitiu conhecer muitas cidades brasileiras apresentando trabalho em eventos, e assim encantar-me e apaixonar-me por várias delas, visita várias cidades europeias, algumas nos EUA e Canadá, mas continuar achando que apesar da terrível insegurança e corrupção nos governos (defeitos do Brasil) nossa Cidade Maravilhosa não perdeu para as que conheci.
    Nos quatro anos na Inglaterra pude entender o significado de “ser nacionalista” (eu era) e o “morrer de banzo” dos escravos que ajudaram a criar e desenvolver o País.
    Hoje lembro de Brighton com saudade e ainda volto lá só para jogar moedinhas no píer e andar despreocupada pelas lanes. Que emoção foi para mim ver a Paris tão falada por minha mãe, ou a London dos contos de meu pai, ou sentir estar pegando na história ao visitar o coliseu, as catacumbas onde os primeiros cristãos se encontravam e visitar o vaticano e sua biblioteca, assistir a vida entre rios e embarcações da bela Veneza, a indescritível beleza de Bruges, ouvir os netos contarem a verdadeira história dos personagens centrais da noviça rebelde na Áustria e esquiar nos alpes, visitar a cidade onde apareceu a Virgem de Fatima, ver o queijos feitos pneus e a cidade em miniatura na Holanda, assim como conhecer Gramado como se estivesse entrando em uma cidade de contos de fadas, os jardins e bosques de Curitiba, a igreja do Céu em Viçosa do Ceará, a bica do Ipu, a cachoeira do boi morto e o gruta em Ubajara ou o sitio do Bosco em Tianguá, trazendo de outros sítios puxa-puxa, rapadura e mel de engenho. Com certeza não sei lhes dizer o que mais gostei, só que gostamos, eu e minha família e fomos felizes lá como somos aqui.
    Acredito que o importante é se encontrar um modo de vida que lhe faça feliz.
    Agora, se eu tiver que limpar casa, lavar e passar roupa, tenha certeza que estarei chorando antes, durante e depois. Se me convidarem a visita-las, por favor que minhas tarefas sejam fazer o almoço e lavar a louça (mas nunca guardar).

  30. Pingback: A arte de viajar

  31. sheynaaaSheyna disse:

    Só comento que seu texto e maneira de escolher palavras e compor um texto é muito claro, e bom!

  32. jessica disse:

    Concordo, não faço parte da elite nem de perto, mais vejo muito pobre, classe média baixa querendo todo luxo. Eu só quero um trabalho que goste, um simples conforto e tempo e dinheiro para me divertir.

  33. Isabela Lima disse:

    O texto é interessante, mas vocês estão esquecendo que o transporte público em Barcelona é absolutamente incomparável com o de São Paulo! Não é questão de viver com menos na Europa, a questão é que vive-se melhor por lá por N fatores!

  34. Carlos Braga disse:

    Simplesmente o óbvio ululante, algo que transpassa a massa crítica de alguns brasileiros. Também aprendi assim, hoje viajo e curto o mundo em hóteis super baratos, com o essencial e gasto com qualidade de vida para mim e minha família, alugar hotéis caros, onde só vamos para tomar e dormir é como jogar dinheiro fora. O aluguel de um apartamento de três quartos,totalmente mobilidado, para em média seis pessoas, por 3 meses em Lisboa, fica em torno de mil reais por mês, as demais despesas são infinitamente mais baratas do que no Brasil. Apesar de, na minha idade mais avançada, voltar a estudar especificamente graduação em economia, sinto-me convencido de que somente no Brasil aceitamos ser assaltados pelo Governo, pelos Empresários e pelo Sistema e nada fazemos. Assim continuaremos a viver de forma iludida, com mais de um carro, com bens superfluous e que poucos usufluímos, apenas para situar, a pior estação do metro de Lisboa é melhor do que qualquer uma no Brasil. O preço de um garrafão de cinco litros de água mineral em Lisboa é menos de um quarto aqui no Brasil. Na cidade do Porto um prato para duas pessoas com picanha brasileira, arroz, fritas, salada e feijão custa o equivalente a R$ 40,00, podem pesquisar no Restaurante Madureira. A passagem de trem entre Porto e Braga, custa o equivalente a R$ 9,00 por uma hora de viajem. Não vou dar mais exemplos senão Portugal virará o Brasil, pois certamente muitos vão querer mudra para lá, sem falar que passagens entre os países ficam em menos de 100,00 reais ida e volta.
    Abraços a todos.

  35. Gustavo disse:

    Concordo em partes com o texto, acho que devemos sim deixar de lado completamente futilidades e viver de forma adequada a realidade sem se desgastar, porém mesmo assim, uma vida simples de classe média no brasil tambem e muito cara e todos sabem, e por vezes quando sobra algum dinheiro pra viajar nao se tem tempo e quando se tem tempo por vezes nao tem o dinheiro, e como o colega ali em cima disse, a situacao do nosso pais e complicada e devemos sim pensar em nosso pé de meia e infelizmente ainda nao dá pra abrir mao de um veiculo ou outro bem de consumo, um bom plano de saude e etc devido a precariedade dos serviços brasileiros.

  36. Alexandre Vieira disse:

    Esse texto reflete os dias atuais, consumismo, capitalismo, os jovens querendo aparecer na melhor balada, usando roupas de grifes, o vizinho comprando um carro melhor que o chefe, a vizinha saindo com bolsas Louis Vuitton.
    Nasci pobre, mas sempre trabalhei em empresas de ponta e isso que nem sou formado, mas sempre fui dedicado em meus trabalhos, hoje com 50a, Analista de T.I. desempregado por opção, pq muitos dos meu antigos chefes e colegas de trabalho ainda me procuram para fazer parte de projetos de T.I.
    Moro na grande Florianópolis, tenho minha casa, criei um bistrô que está engatinhando e fiz cursos de gastronomia e a maior parte do ano uso chinelo de dedo ou fico de pés descalços, tanto que numa visita familiar, estava descalço nacada de meu irmão e convidei o meu filho para ir no Hipermercado, meu filho me questionou se iria descalço, perguntei se havia algum problema, me disse que chamaria a atenção… então, fui ao super assim mesmo, sei que no momento que entrei notei que seguranças estavam se comunicando e falando da minha presença, meu filho riu e me avisou, apenas respondi, se tiver com roupas de grife ou não eles querem o meu dinheiro, comprei uma garrafa de vinho e uns queijos e retornei para casa de meu irmão ri bastante, tiraram onda com a minha cara, mas muitos perguntaram, o cara compra um vinho e queijo bom e não usa sapatos… ai eu pergunto, qual são as prioridades de cada um… as minhas são: comida na mesa e um bom colchão e travesseiro… e se desejar ser culto e respeitar o próximo, faça viagens, conheça culturas, nem que seja ali na esquina, mas saia da mesmice…

  37. Paulo disse:

    Muito bom pra quem tem opção de vida mas muito fora da realidade pra quem é assalariado e já tem que enfrentar transporte público em péssimas condições, tem carro com mais de seis anos de uso, faz a própria faxina aos fins de semana em casa e cozinha diariamente pra família e, ainda assim não tem dinheiro para ir ali no litoral brasileiro por sete dias no ano e se ver livre do estresse do dia a dia

  38. Renato Hundsdorfer disse:

    Tão simples é viver bem. Viajo todos os anos para os mais diversos lugares. às vezes não acredito que os zombam de mim, perguntando com que dinheiro eu viajo tanto. Outro dia tive que dizer a eles: “Gastam de 500 a 800 reais por balada às vezes duas vezes por semana. Se reúnem para se torrar de cerveja, e ficar fumando. Quando viajam ficam todos junto e passam dias e noites bebendo” De 3 a 5 reiais uma lata de cerveja, não dá pra ser culto no mundo”

  39. Várias pessoas comentam que eu sou rico porque viajo demais. Eu não sou pobre, mas também não sou rico, Não moro no apartamento mais caro, mas também não moro numa localização ruim. Acho que a questão maior é saber suas prioridades, e no que te dá mais prazer. Eu sou do tipo que até dou R$ 2000 num celular (OBS: + seguro, claro!), mas já não faço questão de carro (O que já me faz economizar pelo menos uns R$ 500/mês), porque pra mim eu acordo com celular, saio com celular, durmo com celular do lado. Quando viajo, sempre vou por promoção, tento ficar hospedado em casas de amigos, ou tentar viajar com a familia para rachar o hotel – que é o mais caro. Também não vou para restaurantes – que são caríssimos e o benefício é quase 0. Quando saio pra baladas, faço meu “esquenta” antes, não pago R$ 10~ R$ 15 numa dose de bebida (Apesar daqui em Recife ser menos que isso), quando a garrafa toda custa uns R$ 20~R$ 25, assim como não pago mais de R$ 35 numa entrada – e ainda penso bem se for a este valor.

    Em troca disso, viajo praticamente todo mês. Só entre novembro de 2010 e o final de 2013, já fui 8x pra SP, 7x para o Rio, 2x para Porto Alegre, Brasília e Curitiba, 1x para Fortaleza, Natal, João Pessoa, Aracaju, Salvador, Vitória, Belo Horizonte (e interior de MG incluindo Uberlândia), Floripa, Belém (e provavelmente Macapá em novembro) e Goiânia, além de Mendoza, Córdoba, Rosário, Buenos Aires, Montevideo (Incluindo Colônia de Sacramento) e Atlanta. Sempre que posso, usando milhas ou pegando promoções com preços geralmente a metade do preço normal, mas as vezes a 1/3. Viajar é algo que me satisfaz muito, até porque possuo amigos em vários locais do Brasil. Pra mim é mais importante viajar do que ter um carro, principalmente quando moro ao lado de uma estação do metrô e perto de 2 corredores de ônibus (Mesmo que alguns deles demorem).

  40. Ricardo disse:

    A autora condena a ostentação, e durante todo o texto ela ostenta a vida européia que ela tem. Totalmente acessível aos brasileiros da classe média, não é ? Alguém acha que ela é classe média ? A classe média consegue mandar os filhos pra Europa, e depois curtir um ano sabático sem trabalhar ?

    • Paulo Ribeiro disse:

      Ela condena a gastança besta, o consumismo. Creio que você saiba que consumismo e ostentação são coisas diferentes. Com relação à ‘ostentação’ do estilo de vida europeu, o que me pareceu foi que ela estava mostrando como o estilo de vida de lá é bom. Não apenas se gabando de estar na Europa, no primeiro mundo, acima do resto do planeta. Com relação aos pais que mandam os filhos à Europa no texto o autor não deixa claro que foi mandado à Europa pelos pais. Mesmo que a resposta fosse sim, eles foram mandados isso não viria ao caso. Estamos falando de estilo de vida e de qualidade de vida — não de valores morais ou do bom senso que os filhos devem ter. A classe média consegue aquilo que planejar bem e executar melhor. Tudo está ao alcance de todos, a diferença é QUANTO TEMPO vai demorar para conseguir alcançar.

  41. salpinster disse:

    Eu já estive fora, morei no Canadá, um tempo em Barcelona, agora estou em SP, mas pretendo me mudar pro resto da vida pra PERTH na Austrália… pra isso, to sacrificando 2 anos de vida trabalhando sem gostar, mas juntando dinheiro pro meu objetivo….

    Pra mim, a pior coisa de morar aqui, é a exploração em cima das pessoas, ccada vez tudo fica mais caro em SP, pagamos impostos para tudo, e não evmos retorno, pago IPVA, DPVAT seguro obrigatório e as ruas são um LIXO… pagamos gasolina mais cara que na Argentina sendo que nós mesmos produzimos, temos matéria prima e mão de obra pra tudo, mesmo assim pagamos caro … temos os políticos mais corruptos do mundo, a violência em SP é um absurdo, não quero ter filhos aqui, e não quero criar uma família nesse inferno….

    Lá se vive bem melhor, ganhando mt menos, as pessoas se respeitam, no Canadá, eu me senti em outro planeta!!!

    Amo o Brasil. mas odeio morar em SP !

    Obs – já morei em MAceió, e na Amazonia…

    • Fábio Viana disse:

      Tenho o mesmo sentimento que você em relação ao nosso país ‘salpinster’. E olhe que eu moro em Fortaleza/CE, onde creio que os problemas são menores que SP. Me sinto um otário como cidadão brasileiro por tudo isso ai que vc mencionou. Assim como vc, adoro o território brasileiro, mas morar aqui ta complicado. Nunca tive a vivencia de morar em outro país, mas não eh muito difícil encontrar uma melhor qualidade de vida que a nossa. Sobre morar em Perth, como esta planejando permanecer por la? Quero dizer com relação ao visto de permanência. Tenho muita vontade de ir pra Austrália, a principio fazer um intercambio, e Parth seria um dos meu locais preferidos.

    • Cara, eu penso a mesma coisa. No dia que o Brasil virar um país decente, aí eu volto pra ver qual é a dos nossos governantes. Enquanto for oferecida essa vidinha de merda ao povo melhor juntar as coisas e sair do país enquanto é tempo. Melhor evitar o pior.

  42. Concordo com tudo ou quase tudo!! Quando voltar para o Brasil com certeza eu irei mudar muitas coisas que aprendi aqui na Europa.

  43. marco1001 disse:

    Por acaso alguém aqui mora na Itália ou tem alguém de confiança que more para perguntar algumas coisas? Obrigado.

  44. Tanta gente comentando “Ah solteiro e sozinho é fácil, queria ver se tivesse filho pra criar e família pra sustentar mimimimi”

    Adivinhem só, eu não tenho e nem quero ter nem filhos nem família para sustentar!!!! A vida é feita de escolhas e eu tenho noção que se eu quisesse uma das duas coisas eu teria que deixar de lado meu espírito viajante então né………………..

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  46. Concordo em boa parte do texto, entendi o espírito da autora.
    Não sou pobre, longe de ser rico, e viajo muito pelo Brasil e pelo mundo. Lá fora meu suado $$$ é valorizado, sou muito bem tratado e por aí vai. Não ligo para luxo, marcas, carro do ano, acho curioso pessoas terem carro caríssimo na garagem que vale muito mais que seu apartamento, mas isto é de cada um, certo?
    Decidi que não viajo mais aqui no Brasil, não dá. Tudo estupidamente caro, infraestrutura horrível, povo mal-educado (a maioria, lógico), todo mundo querendo passar a perna no outro, consumismo desenfreado, etc…
    Ah, acho curioso qdo falam que a Europa e os EUA estão quebrados. Não, não estão. Eles estão passando por uma crise séria, mas irão (ou já estão) dar a volta por cima.
    Quebrados estamos nós, há muito tempo, socialmente, culturalmente, politicamente, economicamente…
    Parabéns para a autora do texto.

  47. Pingback: "Você é rico?!? Como consegue...

  48. Nelson Franca disse:

    Muito bom! Descreve bem a parlapatice que está vivendo grande parte dos brasileiros. Já vivi também na Inglaterra e Alemanha. Sinto muita saudades da Europa onde as pessoas são mesmo muito mais educadas e., com certeza, curtem muito mais a vida. Eu nem precisava de carro para viver e achava ótimo . O bom transporte público, os trens me bastavam e me levavam a qualquer lugar, eu adorava! Hoje vivo no Brasil porém bem distante da realidade da classe média paulistana. Moro em uma chácara onde planto minhas verduras e a única despesa que tenho é energia elétrica. Nem IPTU pagamos, por ser área rural. Dessa forma posso viver fazendo o que eu gosto (músico), e ainda de vez em quando….viajar, que é excelente!

  49. Adorei o texto, realmente precisamos descomplicar tudo. Faço desta idéia o meu objetivo de curto prazo.
    Preciso urgentemente me livrar das amarras dos “tem que”.
    Sei que vou conseguir, me desejem foco e sorte.
    Beijos

  50. O texto é sobre um casal com mais de 60 anos e bem sucedidos. Portanto, devem ter trabalhado muito e feito uma boa base. O que importa é ser feliz. Cada um que dance a sua música preferida.

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